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Projeto de R$ 48 milhões para levar água às aldeias reacende esperança em Dourados

Entrega do novo escritório da Sanesul em Vila Vargas e pacote de obras incluem asfaltamento e ampliação de redes de água e esgoto

Evento reuniu inúmeros políticos em Dourados - Foto: Kátia Kuratone/Portal RCN67
Evento reuniu inúmeros políticos em Dourados - Foto: Kátia Kuratone/Portal RCN67

A assinatura de um projeto de R$ 48 milhões para implantar um sistema definitivo de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, reacendeu a expectativa de solução para um problema que se arrasta há décadas.

A medida foi apresentada nesta sexta-feira (16) durante um pacote de entregas e anúncios ligados ao saneamento e infraestrutura no município, com participação de lideranças políticas e representantes da comunidade indígena.

O governador em exercício de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, o Barbosinha (PSD), afirmou que o valor será analisado pela Caixa Econômica Federal, etapa necessária para autorizar o processo de licitação.

Ele destacou que a obra não é de curto prazo, mas será um passo para garantir abastecimento com dignidade.

“A Caixa passa a analisar agora o projeto elaborado pela Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), fruto de emenda da bancada, R$ 48 milhões, para que a gente possa efetivamente resolver o problema de abastecimento de água na Jaguapiru e na Bororó”, disse.

Segundo Barbosinha, após a análise técnica e o aval para licitação, a expectativa é que o início da obra possa ocorrer ainda neste ano.

“Autorizada a licitação, acredito que no mais tardar aí quatro, cinco, seis meses, a gente possa estar já iniciando o canteiro de obra”, afirmou.

“Famílias buscando água em açude e córrego”, diz liderança indígena

Presente no evento, o Capitão Vilmar, da aldeia Jaguapiru, definiu o anúncio como um marco para a comunidade e afirmou que a falta de água tem causado sofrimento constante para milhares de moradores.

Para ele, a assinatura representa a possibilidade real de mudança após anos de medidas provisórias.

“Esperança. (…) hoje está acontecendo a assinatura da ordem de serviço. E isso significa esperança para a nossa comunidade. Porque é um problema dessa falta de água que já vem se arrastando há muito tempo”, disse.

O capitão relatou que o abastecimento atual é irregular, com bairros que passam dias sem água, o que obriga famílias a buscarem alternativas improvisadas.

“Tem famílias que já estão há semanas esperando água e não chega. (…) a falta de água está insuportável já. Famílias buscando solução em açude, em córrego, para preparar seu alimento, para tomar seu banho”, afirmou.

Segundo ele, as aldeias Jaguapiru e Bororó somam entre 22 mil e 25 mil habitantes, afetados pelo mesmo problema. “Já vem há quase 20 anos”, completou.

Sanesul diz que projeto virou prioridade e lembra tentativa frustrada no PAC

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, afirmou que o projeto das aldeias se tornou o principal foco da empresa em Dourados. Ele destacou que, apesar de o abastecimento em terras indígenas não ser uma obrigação legal da Sanesul, houve decisão de tratar o tema como prioridade social.

“O Estado, a Sanesul, não tem responsabilidade legal no abastecimento das aldeias. Mas o governador tem a responsabilidade social. E ele falou: ‘vamos arrumar uma solução’”, afirmou.

Renato Marcílio também disse que a primeira tentativa foi buscar recursos federais via PAC, mas o projeto não avançou. Segundo ele, na época, a proposta era de cerca de R$ 46 milhões, e houve resistência ao custo total.

“Submetemos isso ao PAC. (…) e fui obrigado a ouvir que: ‘é muito dinheiro para um estado só. Não dá para a gente arrumar metade?’”, relatou.

O presidente da Sanesul afirmou que a empresa não aceitou reduzir a obra, por entender que uma execução parcial não resolveria o problema.

“Eu falei: ‘não. Nós não temos como resolver o problema lá pela metade. Nós temos que resolver inteiro. Se não for atender tudo, não vai atender nada’”, disse.

Bancada federal entra como protagonista

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) afirmou que o projeto reforça a necessidade de garantir dignidade às comunidades indígenas e cobrou maior participação do governo federal, citando que a responsabilidade formal pela área é da União.

“A bancada federal hoje está fazendo o papel do governo federal. Porque quem tem a tutela não é a bancada federal, é o governo federal. Quem devia cuidar da população indígena é o governo federal”, declarou.

O parlamentar também defendeu que a pauta não deve ser reduzida a disputas políticas ou narrativas sobre terra, mas sim a condições básicas de vida.

“Os índios querem dignidade. Eles querem a mesma coisa: ter asfalto, ter luz, ter água na sua casa”, afirmou.

Entregas em Vila Vargas e avanço no esgoto tratado

Além do projeto voltado às aldeias, o evento também marcou entregas e anúncios na área urbana. O governador em exercício destacou que Dourados já atingiu 90% de coleta e tratamento de esgoto e que o objetivo é superar esse índice em até dois anos.

“O trabalho da empresa com esses investimentos é, dentro de dois anos, ultrapassar os 95, 96% de coleta e tratamento de esgoto”, disse Barbosinha.

Renato Marcílio ressaltou que a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto Laranja Doce elevou o patamar do serviço no município e afirmou que o tratamento chega a índices próximos do ideal.

“Nós vamos entregar um tratamento com 98% de pureza. A água é praticamente potável”, afirmou.

Também foi entregue o novo escritório da Sanesul em Vila Vargas, apontado como reforço à estrutura de atendimento ao público e às equipes que atuam na região.

“Significa respeito da Sanesul com os colaboradores. Significa respeito da Sanesul com os consumidores”, disse Renato.