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Um mal que incomoda

Popularmente conhecida como ‘dor de cabeça’, a cefaleia atinge cerca de 90% da população brasileira, segundo a OMS

Por Jonas Turolla
24/07/2017 • 15h46
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Você já ouviu falar, alguma vez, no termo “cefaleia”? Se a resposta for não, saiba que pelo menos 90% da população brasileira tem ou já sofreu algum tipo de incômodo causado por ela, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Popularmente conhecida como ‘dor de cabeça’, a cefaleia é a principal causa de atendimentos no consultório do neurocirurgião Marco Aurélio Fernandes Teixeira, em Três Lagoas.

Formado pela Universidade Severino Sombra, de Vassouras/RJ, Fernandes explicou um pouco mais sobre a doença, que, apesar de comum, ainda é pouco compreendida pela população em geral.
“Existem dois tipos de dores de cabeça: as primárias, que são enxaquecas e cefaleias tensionais; e as secundárias, as mais perigosas, que são tumores e aneurismas. Felizmente, a maioria tem cefaleias primárias, dores estimuladas, em suma, por fatores externos - cheiros e alimentos, no caso da enxaqueca; e ansiedade e estresse, no caso da cefaleia tensional”, explicou. “Esses fatores estimulam o centro regulador de dor, que emite esse padrão de dor de cabeça - contínuo (tensional) ou pulsátil (enxaqueca). Mas sempre tem um fator externo”, continuou.

Mas, como saber quando a dor deixa de ser algo comum e exige acompanhamento médico? Segundo o neurocirurgião, a resposta está na frequência dessa dor. “Uma pergunta que eu sempre faço para os pacientes é: dos 30 dias do mês, quantos deles a dor de cabeça lhe incomodou? Se incomodou duas, três vezes no mês, a gente entra com um remédio abortivo, para tomar só quando tem a dor, e pronto. O que preocupa é a dor que sempre aumenta, que o remédio não consegue cortar. Essa tem que investigar, fazer exames neurológicos, para descobrir se o paciente tem algum tipo de tumor ou outra patologia secundária que está incomodando o cérebro. Tem que procurar o estopim”, frisou.

Apaixonado pela neurocirurgia desde a época de faculdade, Fernandes fez questão também de destacar o caráter incurável das cefaleias primárias. “É muito importante dizer que as primárias não têm cura. Você consegue, com tratamento, controlá-las, deixar o paciente o mês todo sem essas dores. Mas não podemos dizer ‘você nunca mais vai ter dor de cabeça’. Isso a gente não pode falar”, ressaltou.

Já no caso das cefaleias secundárias, a cirurgia é, na maioria das vezes, imprescindível. “Depende da patologia. Se o tumor for maligno, tem que operar, não tem jeito. Se for benigno, vai depender do tamanho, da localização... No entanto, se ele está ocasionando dor de cabeça, ele já é grande o suficiente (para cirurgia)”, finalizou. 

Nascido em Presidente Venceslau/SP, Marco Aurélio Fernandes Teixeira se formou em 2007, na Universidade Severino Sombra, de Vassouras/RJ, e terminou sua especialização em neurocirurgia no Hospital de Base, em São José do Rio Preto/SP, no ano de 2013. Filho e irmão de médicos, o neurocirurgião de 35 anos não esconde o seu fascínio pelo órgão mais importante do corpo humano. “Eu sempre falo: ‘Deus fez o cérebro com uma plasticidade enorme’. Se um tumor, por exemplo, lesiona uma parte do cérebro, o próprio cérebro tem a capacidade de reaprender a função da área lesionada. Uma outra área do cérebro vai assumir a função perdida. Isso, claro, com treino e reabilitação. Mas é fascinante”, revelou.

 

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