Editorial

Transporte público precário

Leia o Editorial publicado na edição do Jornal do Povo deste sábado

05/06/2021 07:14


O serviço de transporte coletivo de passageiros instalado desde o ano de 2007, nunca atendeu adequadamente os seus usuários. As suas maiores deficiências sempre foram, a falta de higiene no interior dos ônibus e o cumprimento do horário de circulação das linhas que interligam bairros ao centro. Para agravar, passageiros sempre reclamaram do tempo de espera, além da inconstância de horário de passagem pelos pontos de ônibus instalados na cidade. Não observou o prestador desse serviço o bem estar de seus usuários. Ônibus sujos, serviço deficiente, a atual empresa concessionária de transporte urbano, para agravar mais ainda a situação, passou a priorizar as linhas mais rentáveis.

Além de contar com a tolerância da municipalidade, sempre alegou quando cobrada que a concessão era deficitária. Com a pandemia e com serviços suspensos chegou ao ápice do descumprimento das cláusulas a que estava obrigada por força de contrato. Três Lagoas por sua topografia é uma cidade plana, que estimula o uso de bicicletas, bicicletas motorizadas e motocicletas. Aliás, cumpre registrar, que essas transitam pelas ruas da cidade em alta velocidade, perigosamente, ainda mais, agora, em tempo de pandemia e restrição de acesso a bares e restaurantes, quando se registra o elevado crescimento da prestação de serviços de entrega domiciliar. Infelizmente, a cidade registra, diariamente, acidentes leves e graves, envolvendo veículos e motocicletas.

Há dias noticiou-se que a concessionária de transporte urbano de passageiros em Três Lagoas, resolveu de comum acordo com a municipalidade rescindir o contrato, alegando, inclusive, que o que recebia dos cofres públicos, sequer dava para pagar seus motoristas. Estranha essa alegação, porque a responsabilidade da prestação do serviço e seus encargos é dela própria - a concessionária. Ao poder público, cumpre fiscalizar e cobrar pela qualidade do serviço a ser prestado, zelando pelo bem estar de seus munícipes.

Enfim, passa da hora o rompimento desse contrato, uma vez que a empresa no afã de obter lucro, entre muitas alegações, nada mais fez do que reclamar pela falta de passageiros, os quais, diga-se de passagem, desiludidos com a péssima qualidade do transporte que lhe era ofertado deixaram cansados, de utilizá-lo. Espera-se, com o aumento da pavimentação de ruas asfaltadas nos bairros da cidade, que se criem vias expressas de circulação de ônibus de transporte coletivo, tornando esse transporte mais rápido e eficiente. E que esses cumpram os horários de linha, atendendo e melhorando a qualidade de vida do três-lagoense. A cidade cresce aceleradamente, loteamentos estão se transformando em bairros populosos e a população não pode ficar à mercê de um transporte público precário.   


Redação