Pandemia

Mato Grosso do Sul tem mais de 270 pacientes na fila à espera de leitos de UTI

Cenário de superlotação ocorre em todos os hospitais da capital, que tem 100% dos leitos de UTI ocupados, bem como no interior de MS

12/06/2021 10:16


A taxa de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em Campo Grande ultrapassou 100% de ocupação nesta semana e, dos mais de 270 pacientes que estão à espera por vagas, 60% são da região da capital, que tem 164 pacientes na fila.

No Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, referência no tratamento de pacientes com Covid-19, a falta de leitos vem levando as equipes de saúde a aplicarem protocolo de triagem para escolher qual paciente será intubado. 

A informação foi confirmada à reportagem pela diretora da instituição, Rosana Leite, que comparou a situação à um cenário de guerra. “O hospital é regulado então, a gente faz essa ‘escolha’, baseando nos princípios de salvar o maior número de vidas.

Se levarmos em consideração quem vai se recuperar, que tem mais chance de recuperação. É o princípio da guerra mesmo. O soldado que está menos ferido você leva com você”. Outro fator levado em consideração, segundo Rosana, são os anos de vida de cada paciente. “Vem os pacientes mais jovens, mas não é só isso que conta.

Os pacientes que estão com cateter, máscara, tem mais prioridade do que os que estão intubados, porque eles estão menos graves e conseguimos evitar que eles evoluam e sejam intubados”. O hospital não tem mais capacidade de ampliação por questões estruturais e temos usado leitos improvisados para atender os pacientes que chegam com Covid-19. 

O cenário se repete em diversas instituições de saúde de Mato Grosso do Sul e já levou o Estado a transferir pacientes para Rondônia e São Paulo, que ofereceram apoio. Cerca de 30 pacientes já foram levados para hospitais dos dois estados nas últimas semanas.

Estatísticas
Dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde) apontam que 109 mil campo-grandenses se contaminaram com o novo Coronavírus no último ano. Das mais de sete mil morte registradas no Estado, 3 mil ocorreram na capital. 

 


Loraine França