Efeito JBS

Eldorado Brasil pode ser vendida pela J&F

Fábrica de celulose de Três Lagoas está entre os ativos da J&F que podem ir à venda

24/05/2017 11:47


A holding J&F deverá vender alguns de seus negócios para preservar a JBS, principal empresa de seu conglomerado de investimentos.  A Eldorado Brasil, fábrica de celulose instalada em Três Lagoas, está entre as empresas do grupo que pode ser vendida

Os rumores da venda da Eldorado ocorrem desde março deste ano. No entanto, após delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, na semana passada, aumentou- se a expectativa de que a holding J&F terá de vender alguns de seus negócios para preservar a principal empresa do grupo.

De acordo com o Jornal Valor Econômico, a crescente expectativa de vendas desses ativos contribuiu para que as ações da maior companhia de proteínas animais do mundo registrasse forte alta nesta terça-feira (23) na B3. Com isso, os papéis recuperaram parte das perdas que se acumulavam desde quinta-feira (18), motivadas pelo teor das delações dos empresários.

Ainda segundo o Valor Econômico, as ações da JBS subiram 9,53% ontem após a possibilidade de a J&F ganhar musculatura com a aceleração da venda de empresas que já estavam na vitrine, como Vigor, Eldorado- fábrica de papel e celulose- e Flora (higiene e limpeza), e mesmo de negociar companhias para as quais ainda não tinha esses planos, como Alpargatas. Diversos bancos estariam interessados em participar da compra dos ativos da holding.

Informações dão conta de que a J&F estaria buscando vender ativos como forma de se preparar para um eventual pagamento de multas diante das investigações envolvendo a JBS. As denúncias envolvendo o grupo e os representantes dos fundos Petros e Funcef, no entanto, poderiam dificultar a negociação da Eldorado Brasil, que é alvo de quatro operações da Polícia Federal- três delas investigam possíveis fraudes em fundos de pensão de estatais.

DELAÇÃO

Em delação premiada, os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, revelaram que a fábrica de celulose de Três Lagoas, foi construída por meio de propina para facilitar os financiamentos à companhia, bem como do pagamento de mesada a um procurador da República para receber informações sigilosas de uma das três operações do Ministério Público Federal (MPF) que a envolveram e tiveram a intervenção de autoridades em favor de interesses da empresa.


Ana Cristina Santos