POLÍTICA

A prioridade é a Lava Jato

Morte do relator da Lava Jato impõe ao Poder Executivo a obrigação de escolher ainda melhor o substituto de Teori na Corte

Por Redação
21/01/2017 • 09h02
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O Globo, um dos mais importantes jornais do país, resumiu em editorial publicado ontem, um pensamento equilibrado e coerente sobre o momento instalado no país após o evento da morte do ministro do Supremo Tribunal federal, Teori Zavascki, ocorrida no dia anterior, em acidente aéreo ontem em Paraty (RJ). A morte do relator da Lava Jato impõe ao Poder Executivo a obrigação de escolher ainda melhor o substituto de Teori na Corte.

O ministro morre no momento em que entrava na fase final de análise dos cerca de 800 depoimentos prestados por 77 executivos da Odebrecht, inclusive Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba (PR), no maior e mais importante acordo de delação premiada feito na operação e possivelmente o maior do mundo, no maior escândalo de corrupção do mundo.

Equilibrado, técnico, avesso aos holofotes da mídia e ao assédio político, Teori estava prestes a botar as mãos na papelada devidamente catalogada por assessores de seu gabinete, que trabalharam pesado durante as férias de final de ano, no período em que a Lava Jato também  deu um tempo nas investigações, para entrelaçar em plano cartesiano tudo o que foi colhido, em busca de provas das evidências. 

Sem ele, o Supremo perde um de seus ministros mais técnicos, criteriosos e solenes. No julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, ano passado, foi possivelmente o único que guardou o voto para a leitura em plenário, sem sequer antecipar partes do que já havia concluído no processo.

Foi sereno ao determinar a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara e de mandar prender Marcelo Odebrecht e pesados executivos ligados a ele e a partidos políticos. 
Diz o Globo que, “por ser a maior empreiteira envolvida no esquema de corrupção, com ramificações no exterior, esses testemunhos são vitais para esclarecer o esquema e sua vinculação com petistas e peemedebistas, principalmente, e também com possíveis estilhaços sobre o oposicionista PSDB, o PP e outros partidos. O caso interessa inclusive a países latino-americanos em que a Odebrecht recebeu ajuda de Lula para ganhar concorrências, também lubrificadas por propinas.”

A serenidade e a capacidade técnica de Teori seriam fundamentais, nessa nova etapa das análises, quando acusações de corrupção contra Lula devem ganhar forma e o denunciado financiamento ilegal das campanhas políticas de Dilma podem se comprovar. É por tudo isso que a Lava Jato pode se tornar a grande derrotada com a morte de Teori. Sua substituição torna-se um desafio para o presidente Michel Temer, que deverá indicar um nome e para o próprio STF que, se fraquejar, pode ameaçar o futuro de tudo o que foi feito até agora contra a corrupção.

 O alerta mais sinalizado neste momento é que seja afastada de imediato a possibilidade de que o novo relator da Lava Jato ser escolhido por sorteio. Finaliza O Globo: “Não se pode jogar na roleta da sorte ou do azar assunto tão importante, com sérias implicações para o país.”

 

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