VARIEDADES

Estilistas brasileiros homenageiam artistas mulheres

Marcas brasileiras revisitam nomes das artes e da arquitetura como inspiração para a temporada de verão 2018.

Por Redação
28/12/2017 • 08h37
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EMMA KUNZ E HILMA AF KLINT POR LENNY NIEMEYER

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“Emma e Hilma eram consideradas bruxas e não foram reconhecidas em seu tempo. Decidimos homenageá-las e celebrar seus talentos”, explica Lenny Niemeyer. A primeira suíça e a segunda sueca, elas nasceram no fm do século 18, nunca se conheceram, mas tinham em comum em suas obras elementos místicos e de vanguarda, muito antes de movimentos do tipo surgirem na Europa. Lenny colocou pêndulos na passarela, objeto usado por Kunz em sessões de telepatia, e as linhas geométricas da artista. Do surrealismo de Af Klint, a estilista capturou o enigmático da Lua e puxou do satélite a cor e o formato, estampando ou dando forma aos looks.

TARSILA POR OSKLEN

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Tarsila do Amaral não participou da Semana de 1922, mas se transformou em um dos principais nomes do grupo modernista – ingressou no movimento depois, a convite de Anita Malfatti. Com influências cubistas, injetou às formas simples um referencial brasileiro. Com Abaporu (1928), fez nascer o Manifesto Antropofágico, que engolia e transformava a cultura europeia, e, com Operários (1933), criou um retrato simbólico da temática social. Com o arquivo em mãos, Oskar Metsavaht homenageou o processo da artista na Osklen. “Dos esboços dela, saíram os crus, os brancos e os of-white”, ele explica

CY TWOMBLY POR UMA RAQUEL DAVIDOWICZ

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Pintor, escultor e fotógrafo, o norte-americano Edwin Parker Cy Twombly Jr., ou apenas Cy Twombly, ficou famoso pelas proporções agigantadas, as linhas soltas e expressivas e a presença de textos nas telas, considerado até uma espécie de grafite para museu. Ele foi da mesma geração dos pioneiros da pop art, mas preferiu viver na Itália de 1957 a 2011, quando morreu. O artista dizia que seu traço era infantilizado, mas não infantil, um processo complexo. “Cy Twombly era subjetivo, verdadeiro e descompromissado. Existia ali uma mente clássica alimentada por um sentimento atual”, conta Raquel Davidowicz, que reproduziu em estampas as séries de água- -forte em papel feitas pelo artista durante a década de 1960.

LOTTA DE MACEDO SOARES POR APTO 03

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“Quando olham para o Parque do Flamengo, acham que foi feito por um homem. Poucos sabem que quem produziu o complexo foi uma mulher. Mulher lésbica, inclusive”, diz Luiz Cláudio sobre a arquiteta Lotta de Macedo Soares. Ela foi responsável pelo projeto do maior parque urbano do mundo a beira mar, inaugurado em 1965 – afastou-se no fm, por motivos políticos, mas ainda hoje seus postes de 45 m impactam. Foi casada com a escritora Elizabeth Bishop e sua história foi contada no filme Flores Raras. “Ela não existe na memória dos brasileiros”, finaliza Luiz, que preferiu um desfile tributo e nada literal.

(mdemulher)

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