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Infecção urinária: sintomas e tratamentos esclarecidos por médico

Saiba como prevenir, tratar e combater essa contaminação

Por Redação
23/05/2017 • 08h04
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Não é de se surpreender que a infecção urinária é a reação infecciosa mais comum no corpo humano, principalmente em mulheres com a faixa etária entre 20 a 40 anos e em gestantes. O motivo é simples: a doença acomete o canal da uretra, por onde sai a urina, que tem menor a extensão no sexo feminino — apenas 5 centímetros, contra 22 nos homens.

Essa contaminação bacteriana pode ser diferenciada de duas formas, a baixa, que atinge a bexiga, e a alta, que ataca os rins. Para esclarecer as dúvidas mais recorrentes sobre o problema, CLAUDIA entrevistou o infectologista professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Dr. Paulo Olzon.

CLAUDIA: Quais são as causas da infecção urinária?

Dr. Paulo Olzon: O agente infeccioso mais comum da infecção urinária tanto no trato urinário, quanto na bexiga, é uma bactéria que vive no intestino, seu nome científico é Escherichia coli, e que entra em contato com o trato urinário devido a má higienização da região durante o processo de urinar e defecar. No caso das mulheres, a maneira como o papel higiênico é passado nas duas cavidades, primeiro na anal e depois na vaginal, geralmente é a maior causadora da doença.

Outra causa comum da doença é o início da vida sexual feminina e pode acontecer devido a atritos mecânicos entre o pênis e o canal vaginal, tanto é que antigamente chamavam a infecção urinária de doença da lua de mel. No caso dos homens, é extremamente raro adquirir infecção urinária pelo tamanho da uretra. Praticamente inexistente em homens jovens, geralmente ocorre em indivíduos mais velhos porque está relacionada a algum problema de próstata.

A infecção urinária de repetição é muito comum em mulheres idosas, que pela falta de produção de estrógeno, apresentam uma frouxidão do tecido da vagina e da uretra, e com isso, comprometem o mecanismo de válvula da região, deixando-a mais propensa à ação de bactérias.

Qual é a diferença entre infecção urinária alta e baixa e qual é o diagnóstico para cada uma?

As infecções urinárias baixas, também chamada de cistite e de vulvovaginite, comprometem a bexiga, uretra e a pele que recobre a vagina, respectivamente. Quando a doença atinge os rins, é nomeada de alta ou de pielonefrite. A primeira pode ser facilmente tratada com um antibiótico de dose única ou outro prescrito por alguns dias. No caso da infecção alta, a nível de pélvis e rins, geralmente são prescritos antibióticos mais fortes que são tomadas por um período em torno de dez dias.

Normalmente os princípios ativos desses medicamentos são relacionados às quinolonas, uma classe que inclui a ciprofloxacina, levofloxacina e a amoxacilina.

Quais são os sintomas?

No caso da infecção urinária baixa, o sintoma mais comum é a dor para urinar, e podem variar desde a dificuldade para urinar com a sensação de bexiga cheia até urinar com frequência. Às vezes, alguns pacientes relatam eliminação de sangue, mas é algo localizado na região pélvica. Já a alta, implica em dor na região do lombar, onde estão localizados os rins, e febre, visto que os rins recebem uma quantidade muito grande de sangue e as bactérias provocam um aumento de temperatura do corpo. Neste caso, é de suma importância que o diagnóstico seja feito com precisão e rapidez, para que a contaminação não se espalhe pelo corpo com facilidade.

A infecção urinária pode ser um fator facilitador para o surgimento de outras doenças?
Não, a infecção urinária baixa pode se tornar alta caso as bactérias se espalhem pelo trato urinário. A cistite não apresenta grande risco mas é extremamente incômoda.

Quais são as maneiras mais efetivas de prevenção?

Em mulheres idosas, que sofrem com a perda da turgidez do canal vaginal, podem usar algumas medicações em forma de gel ou pomada com estrógeno. Muitas vezes, também se faz necessário uma medicação recorrente de antibióticos para evitar contaminações repentinas.
Roupas muito abafadas, o uso de absorvente diários também podem favorecer a contaminação por bactérias, bem como a umidade, o início da vida sexual e a variação de parceiros no caso das mulheres.
Muita gente acha que tomar muita água pode ajudar milagrosamente e de fato pode auxiliar na evacuação da urina, mas em alguns casos pode ser prejudicial porque a urina é tóxica para essas bactérias, o que acaba por diluir e diminuir a toxicidade do xixi.

Quanto tempo demora em média para a infecção atingir os rins?

Não é um evento que acontece com tanta frequência, mas pode acontecer da infecção urinária baixa se tornar alta. Outra forma de contaminação também pode ser através do sangue, e chamamos, neste caso de hematogênica, pode ser uma contaminação bacteriana de qualquer ordem, de garganta e pele, por exemplo.

Neste caso, os microorganismos chegam até os rins através da circulação sanguínea. Geralmente ocorre quando a pessoa tem uma doença que facilita a instalação da bactéria.

Quais são os hábitos de higiene tanto com a região quanto com as roupas íntimas que devemos ter para prevenir a infecção urinária?

Além da higienização frequente da região, outro fator determinante também é o uso correto do papel higiênico, que é utilizado de maneira errada pela maioria das mulheres e acaba trazendo as bactérias da região intestinal para o canal vaginal. Por isso, é importante lembrar de sempre limpar a vagina e depois o ânus.
A umidade é algo que favorece a infecção, mas varia de pessoa para pessoa, alguns pacientes têm maior suscetibilidade. O sabonete é um excelente bactericida, mas algumas pessoas têm alergia a componentes e devem também se atentar a isso e optar pelos glicerinados.

Quando a infecção urinária é mais recorrente? Depende das condições climáticas?

A doença não tem muito a ver com a estação do ano em si, mas sim com os hábitos da estação. No verão as pessoas apresentam um comportamento mais livre, as chances de aumento de umidade e de que a região permaneça abafada por mais tempo aumentam, esses fatores estão relacionados.

A infecção urinária é recorrente na gravidez? Quais são os riscos?

Sim, e ocorre em função da mudança mecânica que ocorre na região, ou seja, a compressão da bexiga em razão do aumento do útero, isso geralmente facilita um quadro de infecção urinária baixa.

Normalmente não há nenhum risco grave tanto para a mãe, quanto para o bebê, o diagnóstico é simples. Isso acontece geralmente nos períodos intermediários e finais da gravidez, quando o útero está maior. (Informações MdeMulher)

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