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ENTREVISTA

Certificação abre novo corredor logístico e pode ampliar exportações via Porto Murtinho, diz CFO do Grupo FV

Rubia Cynara destaca habilitação para embarques à China, explica dinâmica da hidrovia, avalia mercado da soja e detalha expansão logística do grupo

Em 2023, terminal movimentou o equivalente a 12% da produção estadual - Foto: Divulgação
Em 2023, terminal movimentou o equivalente a 12% da produção estadual - Foto: Divulgação

A habilitação do terminal portuário do Grupo FV, em Porto Murtinho, para exportar soja e milho à China representa a abertura de um novo corredor logístico para o agronegócio de Mato Grosso do Sul.

Rubia Cynara nos estúdios da Massa FM Dourados

A avaliação é da CFO do grupo, Rubia Cynara, que participou nesta terça-feira do programa Agro é Massa, da Massa FM.

Segundo ela, a certificação amplia alternativas para as tradings que já utilizam o terminal e reduz custos operacionais frente a portos saturados como Santos e Paranaguá.

“Queremos manter esse caminho aberto para quem já opera no Porto e também atrair novos entrantes, oferecendo eficiência logística e oportunidades de mercado”, afirmou.

Hidrovia mantém forte ligação com a indústria argentina

Rúbia explicou que a hidrovia Paraguai–Paraná permanece como rota central para o escoamento da soja sul-mato-grossense. Desde 2016, o grupo exporta para a Argentina, onde o polo industrial de Rosário concentra dezenas de multinacionais que atuam no esmagamento.

“A Argentina é o maior exportador de farelo do mundo e tem alta demanda pela soja brasileira, especialmente em períodos de quebra de safra. Já houve anos em que a importação ultrapassou 700 mil toneladas”, relatou.

A executiva afirmou que a habilitação para a China não substitui a rota tradicional, mas complementa o fluxo e diversifica oportunidades. “Depende do dólar, do prêmio e do momento da commodity. Quanto mais mercados, mais competitividade.”

Porto Murtinho já escoou 12% da safra sul-mato-grossense

Em 2023, ano de safra cheia, o terminal operado pelo Grupo FV movimentou 1,63 milhão de toneladas, equivalente a 12% da produção estadual. O desempenho, segundo Rubia, mostra o potencial de expansão caso novas demandas se consolidem.

“Não dá para cravar um percentual fixo todo ano, porque varia com a demanda global e com o comportamento da Argentina. Mas novos mercados podem alterar esse fluxo em diferentes momentos do ano.”

Mercado da soja: prêmios altos, expectativa moderada e venda mais lenta

Questionada sobre o comportamento do mercado internacional, Rubia apontou que a demanda chinesa manteve prêmios elevados ao longo do ano, apesar de oscilações no câmbio e nos preços em Chicago.

Ela também avaliou que o setor antevê uma possível normalização das relações comerciais entre China e Estados Unidos, o que pode reorganizar o mercado global da soja em 2026.

“No ano passado, 82% da soja comercializada pelo grupo foi para exportação. A demanda existe há muito tempo.”

Sobre a safra atual, a CFO disse que o clima favorece a produção no sul de MS, mas que os preços não indicam tendência de alta. O produtor, observou ela, está segurando a comercialização.

“Há três anos, muitos vendiam 40% ou 50% da safra antecipada. Hoje, isso não chega nem a 15%. O mercado spot virou estratégia para buscar preços melhores.”

Expansão logística: nova unidade em Jardim fortalece ligação com o porto

Ribia confirmou que o Grupo FV está ampliando sua rede de recebimento e que uma nova unidade será instalada em Jardim. O objetivo, segundo ela, é reforçar o atendimento às operações de Porto Murtinho.

Ela lembrou que o porto operou em carga máxima em 2023:

  • 310 a 315 caminhões descarregados por dia,
  • funcionamento 24 horas,
  • 13 mil toneladas movimentadas diariamente.

“A unidade de Jardim vem como ponto de apoio. No nosso ano recorde, o porto operou no limite. Essa expansão faz parte da estratégia logística para sustentar o crescimento do corredor.”

Confira a entrevista na íntegra: