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Editorial

A vacina e a vida

Leia o Editorial da edição do Jornal do Povo deste sábado

A vacina e a vida

O baixo índice de cobertura vacinal da poliomielite em todo País traz um quadro novo e preocupante. Crescem o descaso e o desprezo de uma parcela ponderável da população em relação às vacinas de um modo geral. Esse quadro pode ter sido agravado pela politização da disputa pela vacina contra a Covid-19, que levou autoridades a defenderem, mais por antagonismo que por pragmatismo, a liberdade das pessoas não se vacinarem.

Para início de conversa, se um cidadão decide não se proteger, permanecer exposto a um mal que poderia ser evitado, de fato e em tese, mal só estaria fazendo a si mesmo, na medida em que todos os outros se vacinariam. Resta ainda uma discussão sobre o risco a que submete seus semelhantes ao tornar-se vetor de uma determinada doença, seja ela qual for.

No caso da poliomielite, contudo, há um agravante. As doses são ministras a crianças no início de suas vidas, sem que possam, portanto, fazer opção. Mais que isso, não é uma doença tratável (como seriam também em tese, sarampo e tuberculose, por exemplo) e traz danos irreversíveis às crianças, podendo inclusive leva-las à morte.

Deixar de vacinar, neste caso (como eu outros semelhantes), é expor à morte os filhos ou os menores que o cidadão tenha sob sua responsabilidade. E, neste caso, cabe a proteção do Estado, criando como já se criou mecanismos que tornem compulsória a vacina.

O exagero das liberdades, ou melhor, a falsa noção de liberdade neste caso traz à tona uma constatação. O livre arbítrio pode até permitir que alguém mate ou deixe morrer por ou negligência. Mas a sociedade entende que isso é crime e pune quando a responsabilidade é apurada.

E, quando o Estado coloca à disposição das crianças a vacina contra a poliomielite e elas não são levadas pelos responsáveis até o local adequado para receber as doses, algo precisa ser feito.

É urgente agir para reverter esse quadro. Seja intensificando a campanha de vacinação, seja criando mecanismos que as tornem compulsórias, seja até, em último caso, chamando à responsabilidade os que se omitem.

Não é por outra razão que, diante desse debate e sobretudo diante da posição de algumas autoridades estimulando a não vacinação, quando lhes nega a obrigatoriedade, s termine por judicializar essa questão.

E isso também não pode custar. Deve ser imediatamente esclarecido e estabelecido. Afinal, na outra ponta de uma questão política, está o risco, a ameaça e o desastre. É, asism, urgente que se tome providências e psocionamentos firmes.

É urgente e necessário.

Mais que isso. É vital, levando em conta o risco a que está sendo submetida hoje a infância brasileira.