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Agressão contra vereadora mostra como mulheres estão sendo afastadas da política, alerta entidade

Presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica, Rachel Magrini, avalia que baixa presença de mulheres na política é reforçada pela violência

A denúncia da agressão sofrida pela vereadora Fabrizia Tinoco (PODEMOS), que foi retirada a força da Secretaria de Obras de Bela Vista, no dia 13 de maio, por outro vereador do município, mostra como a violência é mais um fator para afastar as mulheres da política no País, avalia a presidente da ABMCJ/MS (Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica) Rachel Magrini. A entidade alerta há tempos para o pouco espaço dado para mulheres em Mato Grosso do Sul, onde não há mulheres na Assembleia Legislativa, por exemplo, mesmo com o eleitorado feminino sendo de 52%.

Na manhã do dia 13 de maio, a vereadora esteve em uma obra parada após receber diversas reclamações dos transtornos. Ao falar com o secretário de obras, uma engenheira e o vereador Francisco Gutierres (PSDB) se aproximaram e começaram a discutir com Fabrizia, questionando sua presença ali. Gutierres a retirou do local violentamente, puxando os cabelos e os braços. Fabrizia registrou boletim de ocorrência em seguida.

“Não é apenas um problema criminal. Em um ano eleitoral a forma de agressão é como uma limitação a qualquer mulher que pretenda ter espaço na política. A violência ameaça a democracia, os direitos humanos e a justiça de gênero”, ressalta Rachel.

A ABMCJ faz parte de conselhos da ONU que debatem as políticas de igualdade aos direitos das mulheres e segue a plataforma de Ação de Pequim, carta que completa 25 anos em 2020 e seria tema de palestra proferida por Rachel na sede da ONU, em Nova York, em março deste ano. O evento foi adiado por conta da pandemia do coronavírus.

“A participação das mulheres na política aumenta, porém os espaços diminuem. Em nosso Estado não temos deputada estadual e na Capital, de 29 vereadores, apenas duas vereadoras. Isso quando somos 52% do eleitorado”, aponta. Em MS, nos últimos 40 anos, apenas 11 mulheres ocuparam cadeiras na Assembleia Legislativa. A maioria por fazer parte de famílias tradicionais na política.

Enquanto a América Latina apresenta aumento de mulheres nos Parlamentos, com 53% na Bolívia e 48% no México, estudo da ONU Mulheres mostra que o Brasil tem apenas 15% das cadeiras com mulheres.

“A violência política agora transcende o debate e parte para a agressão física. Percebemos que mulheres com mandato são mais atacadas, principalmente nas redes sociais, apenas por serem do sexo feminino. A agressão física é ainda mais grave por querer impedir o exercício das funções da vereadora.

De acordo com dados da União Parlamentar Internacional (IPU), 82% das parlamentares ouvidas viveram violência psicológica; 44% receberam ameaças de morte, estupro, espancamento ou sequestro; 26% sofreram violência física no parlamento e 39% afirmaram que a violência política minou a implementação de seus mandatos e sua liberdade de expressão.