
No mesmo dia em que a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande completa 11 anos de atuação, Mato Grosso do Sul registrou mais um feminicídio no interior do Estado. A coincidência evidencia o contraste entre os avanços na rede de proteção e a permanência da violência contra as mulheres.
De acordo com o Monitor de Violência contra a Mulher do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, este é o terceiro feminicídio registrado no Estado apenas neste ano, sendo o mais recente ocorrido no fim de semana (8), em Selvíria.
Desde a inauguração, em 2015, a Casa da Mulher Brasileira já realizou mais de 154 mil atendimentos e cerca de 2 milhões de encaminhamentos. “Esses números não são estatísticas frias, são vidas que passaram por acolhimento, cuidado e proteção”, destacou a secretária estadual da Cidadania, Viviane Luiza.
Ações e Reações à Violência Contra a Mulher
Durante a cerimônia comemorativa, autoridades reforçaram que o atendimento, embora essencial, não é suficiente sem prevenção. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirmou que a violência contra a mulher tem raízes culturais. “As mulheres são assassinadas porque ainda existe na sociedade a ideia de que elas valem menos. Isso é construído culturalmente e precisa ser enfrentado”, disse.
A vereadora também cobrou a ampliação da rede de atendimento no interior do Estado. “Campo Grande fez sua parte ao inaugurar a primeira Casa do país, mas é urgente acelerar a construção das unidades de Dourados, Ponta Porã e Corumbá”, afirmou.
Já a secretária Viviane Luiza ressaltou o investimento em educação como estratégia de longo prazo. “Enquanto não enfrentarmos a misoginia como um comportamento aprendido, vamos continuar enxugando gelo. Por isso, estamos atuando dentro das escolas”, explicou.
Atualmente, 341 escolas da rede estadual participam do Programa Protege, que trabalha temas como respeito, igualdade e prevenção à violência. O repasse para cada unidade foi ampliado de R$ 500 para R$ 1.000 neste ano.
O Papel da Denúncia no Combate ao Feminicídio
Para a secretária-executiva da Mulher, Angélica Fontanari, o aumento nos registros de violência reflete maior confiança das vítimas em buscar ajuda. “O que vemos hoje é que as mulheres estão mais encorajadas a denunciar e sair do ciclo da violência antes que ele termine em feminicídio”, afirmou.
O aniversário da Casa da Mulher Brasileira, marcado por mais uma morte, reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher segue como um desafio urgente e contínuo em Mato Grosso do Sul.