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ECONOMIA

Famílias de maior renda puxam alta do consumo na Capital

Índice de Intenção de Consumo sobe em janeiro, impulsionado por domicílios com renda acima de dez salários mínimos

Segurança no emprego é um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho do índice Foto: Freepik
Segurança no emprego é um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho do índice Foto: Freepik

As famílias com renda superior a 10 salários mínimos foram o principal motor da alta do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Campo Grande no início de 2026. O indicador alcançou 107 pontos em janeiro, mantendo-se na chamada zona de satisfação, segundo dados divulgados, na sexta-feira (23), pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Nesse grupo de renda mais elevada, o índice atingiu 119,8 pontos, bem acima do registrado entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, que marcaram 104,5 pontos. A diferença revela percepções distintas sobre emprego, renda e capacidade de consumo.

Análise da Economista Ludmila Velozo

Para a economista da Fecomércio-MS, Ludmila Velozo, o resultado reflete uma desigualdade clara entre as faixas de renda.

“Os consumidores de maior renda demonstram mais confiança, especialmente em relação ao acesso ao crédito, ao consumo atual e às perspectivas futuras de compra. Já as famílias com menor renda seguem mais cautelosas”, afirma.

Segundo ela, a segurança no emprego é um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho do índice. Entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o indicador de situação do emprego chegou a 154 pontos, contra 134 pontos no grupo de menor renda. “Essa maior segurança financeira sustenta uma intenção de consumo mais elevada”, diz.

Acesso ao Crédito e Percepção de Consumo

O acesso ao crédito também aparece como um divisor. Enquanto as famílias de maior renda avaliam o crédito de forma mais favorável, aquelas com renda até dez salários mínimos permanecem em um patamar de insatisfação nesse quesito, reflexo do custo de vida e das condições mais restritivas de financiamento.

Apesar das diferenças, o levantamento aponta melhora na percepção do consumo atual e da expectativa de compras nos próximos meses em todas as faixas. “O consumo tende a reagir primeiro entre as famílias de maior renda, que têm mais folga no orçamento. Para as de menor renda, a melhora é mais gradual e depende da estabilidade no emprego e da desaceleração dos preços, afirma Ludmila.

ICF em Campo Grande

O ICF é calculado mensalmente a partir da percepção das famílias sobre emprego, renda e consumo e funciona como um termômetro antecipado do desempenho do comércio e dos serviços na capital.