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IPTU 2026

Por um voto, vereadores mantêm veto da prefeita à suspensão da taxa do lixo

Decisão ocorre em meio a impasse sobre arrecadação e questionamentos jurídicos

Sessão da Câmara Municipal manteve veto da prefeita Adriane Lopes e garantiu a continuidade da cobrança da taxa do lixo em Campo Grande - Foto: Arquivo/Portal RCN67
Sessão da Câmara Municipal manteve veto da prefeita Adriane Lopes e garantiu a continuidade da cobrança da taxa do lixo em Campo Grande - Foto: Arquivo/Portal RCN67

Por apenas um voto, a Câmara Municipal de Campo Grande manteve o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) à lei que suspendia o reajuste impede o aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos para 2026. A votação ocorreu na manhã desta terça-feira (10).

Ao todo, 14 vereadores votaram pela derrubada do veto, número insuficiente para revertê-lo. Outros oito parlamentares se posicionaram pela manutenção, garantindo a vitória do Executivo, o veto só poderia ser derrubado com o voto favorável da maioria absoluta dos vereadores, o equivalente a 15 dos 29 parlamentares.

Com o resultado, a taxa do lixo segue sendo cobrada nos valores lançados pela Prefeitura. A decisão mantém uma das principais medidas da política tributária municipal, alvo de críticas nas últimas semanas.

Taxa da coleta de lixo e IPTU

O veto é referente ao Projeto de Lei Complementar 1.016/26, que suspende os efeitos do Decreto 16.402/2025 e barra o reajuste da chamada Taxa do Lixo.

A taxa de coleta de lixo é uma cobrança específica vinculada à prestação do serviço de recolhimento, transporte e destinação final dos resíduos sólidos. Diferente do IPTU, a taxa deve ter relação direta com o custo do serviço prestado e só pode ser utilizada para financiar essa atividade.

O aumento da taxa influenciou o valor dos carnês do IPTU e gerou reclamações de contribuintes.

O IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) é um tributo municipal cobrado anualmente de proprietários de imóveis urbanos, como casas, apartamentos e terrenos. O imposto tem como base o valor venal do imóvel e a arrecadação é destinada ao custeio de serviços públicos gerais, como saúde, educação, infraestrutura e manutenção da cidade.

A votação ocorreu em um cenário de instabilidade na arrecadação do município. Além da taxa de lixo, a Prefeitura enfrenta impasse judicial relacionado ao IPTU.

Uma liminar obtida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) suspendeu a cobrança do imposto nos valores originalmente lançados. A decisão determinou o recálculo dos boletos apenas com correção inflacionária de 5,32%.

O Executivo sustenta que a arrecadação da taxa de lixo, estimada em cerca de R$ 40 milhões, está muito abaixo do custo do serviço. Em 2025, a despesa com a coleta chegou a aproximadamente R$ 137 milhões.

Já vereadores contrários ao veto apontam ilegalidade no reajuste. Os parlamentares defendem que a cobrança não poderia ter sido feita por decreto e questionam a forma de implementação da taxa.

Confira como cada vereador de Campo Grande votou:

Para derrubar o veto (14):

  • Ana Portela (PL);
  • André Salineiro (PL);
  • Clodoilson Pires (Podemos);
  • Flávio Cabo Almi (PSDB);
  • Herculano Borges (Republicanos);
  • Jean Ferreira (PT);
  • Luiza Ribeiro (PT);
  • Maicon Nogueira (PP);
  • Marquinhos Trad (PDT);
  • Otávio Trad (PSD);
  • Professor Riverton (PP);
  • Rafael Tavares (PL);
  • Ronilço Guerreiro (Podemos);
  • Veterinário Francisco (União). 

Para manter o veto (8):

  • Beto Avelar (PP);
  • Carlão (PSB);
  • Delei Pinheiro (PP);
  • Doutor Jamal (MDB);
  • Doutor Victor Rocha (PSDB);
  • Leinha (Avante);
  • Professor Juari (PSDB);
  • Wilson Lands (Avante).

Não participaram da sessão Lívio Leite (União), Fábio Rocha (União), Júnior Coringa (MDB), Landmark (PT), Neto Santos (Republicanos) e Silvio Pitu (PSDB).

O presidente da Casa, Vereador Papy (PSDB) não participou da votação, conforme prevê o Regimento Interno, que autoriza o voto apenas em caso de empate.