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Obra do prédio da PRF será retomada, mas desagrada MPE

Para o Ministério Público estadual, nenhuma obra impactante deveria ser erguida às margens das lagoas do município

Por Valdecir Cremon
04/02/2017 • 07h36
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A polêmica envolvendo a obra do prédio da Polícia Rodoviária Federal que se transformou em um embate jurídico acalorado, pode até ter chegado ao fim com o anuncio de que o projeto será executado e entregue ainda este ano. Mas para o ministério Público Estadual, se faz necessário que o caso seja avaliado sob o ponto de vista urbanístico, ambiental, turístico e visual da lagoa maior. A opinião é do promotor de Justiça Antonio Carlos Garcia de Oliveira.

O promotor explica que qualquer empreendimento que afete a questão urbanística do entorno das lagoas precisa ser avaliado sob diversos aspectos e um deles diz respeito ao urbanismo do local. “As lagoas sempre foram nossa marca registrada. Ao invadirmos esses espaços erguendo casas e prédios, a cidade acaba perdendo a chance de utilizar esses cartões postais como atrativo turístico por exemplo. Sem contar que invadimos um ambiente natural onde a vida aquática e silvestre está presente”, lembrou.

Ainda de acordo com o promotor, ao invés de insistir em obras que em nada contribuem para o embelezamento desses locais, o ideal é que se invista em projetos de lazer para a população e em atrativos que possam fomentar o turismo e gerar bem estar aos cidadãos. Ele ressalta ainda que buscou alertar de diversas maneiras, dos riscos de se construir obras físicas no entorno desses espaços. “Como Promotor do Meio Ambiente e Urbanismo, considero que tanto a iniciativa privada quanto os governos, deveriam atuar de modo a manter preservados espaços naturais como rios, lagoas e matas. Ao invadimos esses ambientes de forma desordenada, corremos um sério risco de provocar danos irreparáveis”, ponderou.

Apesar das inúmeras tentativas de conscientização e de embargos, a construção do prédio da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal deve ser retomada e a previsão é de que seja concluída em seis meses. O MPF informou que arquivou o inquérito civil público relativo ao caso por não terem sido encontradas irregularidades. Ainda de acordo com o MPF, o projeto está agora na fase de levantamentos orçamentários e estudos urbanísticos. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 800 mil na obra que, se nada mudar nos próximos dias, deverá continuar sendo motivo de muita polêmica em Três Lagoas.

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