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Editorial

A Inação e a Crise

Leia o Editorial publicado na edição do Jornal do Povo deste sábado

Que a sociedade vive uma crise já ninguém duvida e persistem dúvidas apenas quanto ao seu alcance e muita expectativa e análise quanto a seus efeitos futuros. Certo é que a pandemia, que alcançou alguns países já em crise que as agravou ainda mais, surpreendeu outros em plena recuperação, fazendo voltar atrás muitos passos no caminho que lhes parecia promissões e fez retroceder até mesmo locomotivas continentais que há muito não sabiam o que era uma recessão.

Seus efeitos se multiplicam e se alastram como ela própria. São  mercados demolidos, empregos moídos e esperanças sepultadas. São novos valores sendo despertados como a solidariedade e outros ficando em segundo plano, novas práticas sendo introduzidas e muitas delas sinalizando que ficam para sempre. Enfim, um novo desenho de futuro a partir dos efeitos econômicos, socias e políticos que se seguem à contaminação ainda sem controle.

Sim, efeitos políticos não faltam. A pandemia mudou o quadro eleitoral nos Estados Unidos e lançou questionamentos sobre as relações de empatia da China com as outras nações, a partir dos questionamentos sobre a demora em admitir a epidemia (antes de visitar pandemia). No Brasil, lançou o governo federal contra os estaduais e prefeituras numa discussão que ainda não se desfez quanto à melhor maneira de enfrentar a proliferação de casos. Para citar apenas o que fica adstrito à Covid-19, ainda que ao mesmo tempo e com personagens idem outras crises tenham se instalado.

São os contornos da crise, que num viés otimista, pode trazer também novas oportunidades, iniciativas fruto da necessidade e soluções derivadas da criatividade.

O que preocupa, contudo é que, a crise (ou crises) não tem até agora o equivalente em reação. Há, pelo contrário, um ambiente de inação, seja pela demora em reagir, seja pelos entraves que se viu nas reações anunciadas. E a inação alimenta a crise. Persistindo, impede qualquer um e todos de enfrentá-la com chances de vencê-la.

A crise alcançou os políticos de surpresa  e os pôs longe de buscarem (juntos ou não) um caminho construtivo. E é isso que precisa ser rompido, para reverter a tendência na direção da recuperação efetiva da economia, da saúde e das esperanças.