
A Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com o 2º Batalhão da Polícia Militar, está estruturando um conjunto de ações para mapear, abordar e atender moradores em situação de rua no município. O objetivo é organizar estratégias que respeitem a legislação, promovam acolhimento e busquem a reinserção social dessas pessoas.
Em entrevista no programa RCN Notícias, da TVC HD canal 13.1, o secretário municipal de Assistência Social, Fernando Garcia, explicou que o trabalho será intensificado a partir de fevereiro, com ações concentradas nos locais onde há maior concentração de pessoas nessa condição.
“Estamos fazendo um mapeamento dos bairros, levantando quantas pessoas estão em situação de rua e organizando estratégias em conjunto com a Polícia Militar e outras secretarias”, afirmou.
Fernando destacou que Três Lagoas conta com o Centro POP, equipamento previsto pela Política Nacional de Assistência Social, que oferece refeições, banho, higiene e atendimento social.
“O Centro POP precisa estar em local de fácil acesso, próximo ao centro da cidade. Muitas vezes os problemas que ocorrem no entorno são causados por pessoas que chegam alcoolizadas ou sob efeito de drogas e não conseguem entrar. Nesses casos, acionamos a Polícia Militar”, explicou.
Segundo o secretário, atualmente há 88 moradores de rua naturais de Três Lagoas, número levantado em mapeamento recente. A maioria dos casos está relacionada ao uso ou abuso de álcool e drogas, além da quebra de vínculos familiares.
O secretário reforçou que o poder público não pode retirar pessoas das ruas à força, respeitando o direito de ir e vir.
“O acolhimento pode ser voluntário, involuntário (quando a família autoriza) ou compulsório, apenas com decisão judicial. Não existe a possibilidade de simplesmente pegar a pessoa e internar sem respaldo legal”, esclareceu.
A equipe de abordagem social atua constantemente, tentando o convencimento e a reconstrução de vínculos familiares, mas nem sempre há adesão por parte dos atendidos.
Fernando também denunciou um episódio recente em que uma van oficial de outro município deixou pessoas em situação de rua em Três Lagoas, sob a justificativa de que a cidade possui estrutura de atendimento.
“Isso é inaceitável. Fizemos um boletim de ocorrência. Não pode existir política higienista de empurrar o problema para outro município”, afirmou.
Dados da vigilância socioassistencial indicam que, ao longo de 2025, cerca de 600 pessoas em situação de rua passaram por Três Lagoas, sendo muitas oriundas de cidades menores de Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O secretário também alertou sobre a prática de dar dinheiro a pessoas em situação de rua.
“Muitas vezes, ao dar esmola, a pessoa acha que está ajudando, mas acaba reforçando a permanência daquela situação. O ideal é orientar para que busquem o Centro POP, onde há atendimento adequado”, destacou.
Além do trabalho com moradores em situação de rua, a Secretaria de Assistência Social prepara, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Funtrab, ações para levar vagas de emprego, cursos e capacitações diretamente aos bairros, facilitando o acesso da população.
“A ideia é descentralizar. Muitas pessoas não conseguem ir até o centro da cidade para buscar qualificação ou emprego. Queremos levar essas oportunidades até elas”, explicou Fernando.
O projeto piloto deve começar a partir de abril, com foco também em mães solo e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Fernando Garcia ressaltou que a assistência social lida com demandas complexas, que vão desde a proteção à infância até o cuidado com idosos em situação de abandono.
“É um trabalho desafiador, mas necessário. Estamos falando de pessoas, de histórias de vida. Nosso objetivo é fortalecer políticas públicas que promovam dignidade e reinserção social”, concluiu.