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FOLIA SEM DESCUIDO

Carnaval eleva risco de ISTs, alerta ginecologista

Sífilis lidera os registros no município; ginecologista explica por que o Carnaval amplia a vulnerabilidade e reforça medidas de prevenção

Durante o Carnaval, especialistas reforçam que diversão e responsabilidade devem andar juntas. Foto: Reprodução / Portal RCN 67
Durante o Carnaval, especialistas reforçam que diversão e responsabilidade devem andar juntas. Foto: Reprodução / Portal RCN 67

O Carnaval é sinônimo de festa, encontros e celebração. Mas, paralelamente ao clima de descontração, o período também acende um alerta na saúde pública. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que, apenas em 2024 e 2025, foram registradas 7.726 notificações de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no município. A sífilis aparece como a mais frequente.

Para a ginecologista Ranimi Tabosa Sanches, o problema não está na festa em si, mas nos comportamentos associados a ela.

“O Carnaval não é o vilão. O que aumenta é a vulnerabilidade das pessoas, principalmente pelo consumo excessivo de álcool, que reduz a percepção de risco e favorece relações ocasionais sem proteção”, explica.

Sífilis preocupa mais que HIV em número de casos

Embora o HIV ainda seja amplamente temido, os números mostram que a sífilis tem apresentado crescimento mais expressivo no país. Entre 2018 e 2023, foram registrados cerca de 77 mil novos casos de HIV, enquanto os casos novos de sífilis se aproximaram de 950 mil no mesmo período.

Segundo a especialista, um dos principais desafios é que muitas ISTs são silenciosas.

“A maioria dos pacientes é assintomática. Não existe ‘cara de doença’. A pessoa pode estar infectada e não apresentar nenhum sinal evidente”, afirma.

Quais são os sintomas da sífilis?

Apesar de frequentemente silenciosa, a sífilis pode apresentar manifestações clínicas. Os primeiros sinais costumam incluir:

  • Manchas pelo corpo, geralmente indolores
  • Lesões ulceradas
  • Feridas na região genital
  • Alterações que podem atingir palmas das mãos e plantas dos pés

Em estágios mais avançados, as lesões podem se espalhar e se agravar. O problema é que, como nem sempre há dor ou desconforto significativo, muitos pacientes não procuram atendimento médico.

Homens lideram notificações

O levantamento municipal aponta maior número de notificações entre homens. A explicação não é simples, mas pode envolver fatores comportamentais e até biológicos.

“Os homens costumam procurar menos os serviços de saúde e realizar menos exames de rotina. Também pode haver maior manifestação de sintomas neles, o que leva à notificação”, pontua a médica.

Ela alerta que qualquer sinal deve ser investigado: verrugas, úlceras, corrimentos, dor durante a relação ou odor forte são motivos suficientes para procurar atendimento.

Outras ISTs também preocupam

Além da sífilis e do HIV, outras infecções preocupam no período carnavalesco, como HPV e hepatites virais.

O HPV, por exemplo, está diretamente associado ao câncer de colo do útero e tem como principal forma de transmissão o contato sexual. A vacinação é uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

“É fundamental manter o cartão vacinal atualizado. A vacina contra HPV e hepatite é uma ferramenta poderosa na redução dos casos”, reforça Ranimi.

Prevenção e Carnaval

A prevenção vai além do uso do preservativo, embora ele continue sendo indispensável. A especialista recomenda:

  • Evitar o consumo excessivo de álcool
  • Manter hidratação constante
  • Alimentar-se adequadamente
  • Usar preservativo em todas as relações
  • Realizar testagem após situações de risco

A combinação de calor intenso e consumo de bebidas alcoólicas pode potencializar comportamentos impulsivos. Pequenas decisões preventivas fazem diferença significativa nos índices de transmissão.

Responsabilidade também faz parte da festa

Para a ginecologista, é possível aproveitar o Carnaval sem comprometer a saúde.

“Não é porque é festa que as pessoas precisam agir fora do seu comportamento habitual. É possível curtir com responsabilidade”, afirma.

Ela faz um alerta direto aos jovens: enquanto uma gravidez não planejada pode ser reorganizada ao longo do tempo, uma infecção sexualmente transmissível pode deixar sequelas permanentes.

“O filho pode mudar planos. A doença pode mudar a sua saúde para sempre.”

Com milhares de notificações já registradas no município, o recado das autoridades de saúde é claro: prevenção continua sendo o melhor bloco para desfilar no Carnaval.

Acompanhe a entrevista completa com a especialista