
Um crime violento que resultou em duas mortes nesta semana em Campo Grande reacendeu o debate sobre saúde mental, ciúme extremo e comportamento humano, o caso, que teve como motivação a suspeita de ciúmes, expôs como emoções mal elaboradas deixam de ser conflitos pessoais e passam a representar risco real à vida, o tema foi discutido em entrevista à Rádio Massa FM com o psiquiatra Eduardo Araújo.
Durante a conversa, o especialista destacou que o ciúme faz parte da experiência humana e surge naturalmente em relações afetivas, mas ganha contornos perigosos quando ultrapassa limites básicos.
“O ciúme é uma emoção normal do ser humano, assim como a alegria e a tristeza. O problema é quando a intensidade excede e começa a gerar comportamentos prejudiciais”, explicou.
Segundo Eduardo, o alerta aparece quando a pessoa passa a invadir a privacidade do parceiro, controlar rotinas e agir movida por desconfiança constante.
“Quando eu começo a checar celular escondido, fiscalizar deslocamentos, controlar amizades e até roupas, nós já estamos falando de um ciúme patológico, isso traz prejuízos significativos para o relacionamento”, afirmou.
O psiquiatra também explicou que o adoecimento se manifesta quando o ciúme interfere na vida cotidiana. “Quando a pessoa não consegue mais trabalhar, dormir ou se concentrar porque vive pensando na possibilidade de traição ou abandono, isso já indica um sofrimento psíquico importante”, disse.
Eduardo alertou para o uso do termo crime passional, que segundo ele simplifica situações complexas. “É uma forma reducionista de falar. Em alguns casos, o ciúme pode ser delirante, baseado em convicções sem qualquer fundamento, algo comum em quadros psiquiátricos específicos, como fases iniciais de demência”, explicou.
O especialista ressaltou que, na maioria das situações graves, há sinais prévios, como padrão de controle e invasão de limites ao longo de vários relacionamentos.
Ao final, Eduardo fez um apelo direto a quem se reconhece nesses comportamentos. “Se você se identifica com ciúmes excessivos, busque tratamento. Existem abordagens psicoterápicas e medicamentosas que ajudam e podem evitar desfechos trágicos”, concluiu.