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Cooperativas avançam e ampliam espaço no crédito

Setor cresce, ocupa lacunas deixadas por bancos e distribui R$ 11,3 bilhões em sobras no sistema Sicoob

Valmir Galhardo, no estúdio `Rádio Massa Campo Grande Foto Karina Anunciato/ Portal RCN67
Valmir Galhardo, no estúdio `Rádio Massa Campo Grande Foto Karina Anunciato/ Portal RCN67

As cooperativas de crédito ampliaram participação no sistema financeiro brasileiro e já ocupam a quinta posição entre os maiores players do país, atrás de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander. De acordo com o diretor-presidente do Sicoob Unique BR, Valmir Galhardo, os dados indicam que o setor reúne mais de 19 milhões de cooperados e responde por 11% do mercado financeiro nacional — há 15 anos, eram 5%.

“O cooperado não é cliente, é dono. Ele participa dos resultados e decide em assembleia o destino das sobras”, afirma Galhardo, que atua há quase quatro décadas no cooperativismo.

Segundo ele, apenas o sistema Sicoob deve distribuir R$ 11,3 bilhões em sobras referentes ao último exercício. Além disso, os cooperados teriam economizado R$ 32 bilhões ao optar por taxas de juros menores e melhor remuneração de aplicações. O sistema encerrou o período com R$ 430 bilhões em ativos, R$ 319 bilhões em depósitos e R$ 274 bilhões em carteira de crédito.

Criado no Brasil em 1902, no Rio Grande do Sul, o cooperativismo de crédito ganhou impulso a partir dos anos 1990, quando passou a ser regulado pelo Banco Central. O movimento se expandiu especialmente em cidades médias e pequenas, onde bancos tradicionais reduziram presença física.

“O recurso que circula na cooperativa permanece na comunidade. Isso gera desenvolvimento local”, diz Galhardo. Ele cita como exemplo municípios que retomaram dinamismo econômico após a instalação de agências cooperativas.

Em Mato Grosso do Sul, as cooperativas já representam o terceiro maior grupo financeiro do Estado. O Sicoob Unique BR, com cerca de 19,7 mil cooperados, prevê distribuir R$ 22,8 milhões em sobras neste ano.

O setor também tem ampliado atuação em crédito sustentável. De acordo com Galhardo, o sistema financiou mais de R$ 600 milhões em operações voltadas a projetos com foco ambiental e social, com recursos do BNDES e do BID.

Apesar do avanço, o cenário econômico impõe cautela. A manutenção de juros elevados e incertezas fiscais exigem maior rigor na concessão de crédito, afirma o executivo. Ainda assim, ele vê espaço para crescimento, sobretudo entre brasileiros que ainda não conhecem o modelo cooperativo.

“Há uma parcela relevante da população bancarizada que nunca experimentou a cooperativa. O desafio é mostrar que é possível ter acesso a serviços financeiros e, ao mesmo tempo, participar dos resultados”, diz.

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