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Proteção à mulher

Em meio a alerta para o avanço da violência, 1ª Casa da Mulher Brasileira do país completa 11 anos

Em menos de dois meses, Mato Grosso do Sul já registrou três feminicídios em 2026

Angélica Fontanari, no estúdio da Rádio Massa Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco/ Massa CG
Angélica Fontanari, no estúdio da Rádio Massa Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco/ Massa CG

A Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande completa 11 anos de atuação como referência nacional no enfrentamento à violência doméstica e familiar. Primeira unidade implantada no país, o espaço reúne, em um só lugar, serviços essenciais para acolher e proteger mulheres em situação de violência.

A data de aniversário é marcada por avanços importantes, mas também por um cenário preocupante. De acordo com o Monitor de Violência contra a Mulher do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, três feminicídios já foram registrados no Estado neste ano. O caso mais recente ocorreu no último fim de semana.

Atendimento Integrado e Acolhimento

Em entrevista, a secretária-executiva da Mulher, Angélica Fontanari, destacou que o principal diferencial da Casa da Mulher Brasileira é o atendimento integrado, que evita que a vítima precise percorrer vários órgãos em busca de ajuda.

Antes da criação da Casa, a mulher precisava ir à delegacia, depois ao Instituto Médico Legal, à Defensoria Pública e a outros serviços, muitas vezes distantes entre si. Hoje, tudo funciona em um único espaço, com atendimento 24 horas por dia.

Além do acolhimento psicossocial, a Casa oferece alojamento de passagem para mulheres que não podem retornar para casa, inclusive com os filhos, por até 48 horas. Em casos mais graves, como tentativa de feminicídio, há encaminhamento para casa-abrigo, em local sigiloso e seguro.

Avanços e Desafios

Segundo Angélica Fontanari, o aumento nos registros de violência não significa, necessariamente, que os casos estejam crescendo, mas sim que mais mulheres estão denunciando e buscando ajuda antes que a situação se agrave. Para ela, o feminicídio, na maioria das vezes, é resultado de um processo de escalonamento da violência, que começa com agressões verbais e vai se intensificando.

Outro avanço destacado é a modernização dos serviços. Medidas protetivas, que antes demoravam até dois dias para serem concedidas, hoje podem ser emitidas em menos de uma hora, graças à informatização do sistema.

Apesar dos progressos, o principal desafio segue sendo a conscientização da sociedade. A secretária reforça que o combate à violência contra a mulher não é responsabilidade apenas das vítimas, mas de todos. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, de forma anônima, ou pelo 190 e 153 em casos de emergência.

Acompanhe a entrevista completa: