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Caso Dhiogo

Família contesta conclusão de inquérito sobre morte de soldado

Parentes afirmam que inquérito não esclarece responsabilidades e apontam falhas do Exército

Dhiego Melo Rodrigues Foto: Reprodução
Dhiego Melo Rodrigues Foto: Reprodução

A família de Dhiogo Melo Rodrigues afirmou que a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) não esclareceu as circunstâncias nem as responsabilidades pela morte do soldado, ocorrida em 27 de outubro do ano passado. O jovem foi encontrado morto, com um disparo de fuzil na cabeça, enquanto fazia guarda no posto do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande.

Em nota, os familiares dizem que o inquérito se limitou a atestar a aptidão técnica de Dhiogo Melo Rodrigues para o manuseio de arma de fogo, com base em instruções e avaliações previstas nas normas internas do Exército, sem apresentar laudo psicológico individualizado que comprovasse sua aptidão emocional para o serviço armado.

Segundo a família, há distinção entre preparo técnico e condição psicológica, especialmente para o exercício da função de sentinela, que envolve isolamento e uso de armamento letal. O documento afirma que havia relatos prévios de sofrimento emocional do militar, que teriam sido comunicados internamente e não receberam a devida atenção.

A nota também aponta a ausência de esclarecimentos sobre pontos considerados centrais, como a não realização de perícia no local da morte, a retenção do telefone celular da vítima e a falta de transparência e comunicação institucional com os familiares após o ocorrido.

Investigação da Morte de Dhiogo Melo Rodrigues

Os parentes destacam que Dhiogo estava sob custódia do Estado, cumprindo ordem superior, em ambiente controlado e com armamento fornecido pela administração militar, o que, segundo eles, impõe um dever reforçado de proteção por parte do poder público.

A família informou ainda que protocolou pedido junto ao Ministério Público Militar para ter acesso integral ao IPM e solicitou manifestação sobre eventuais providências. Medidas judiciais também estão sendo preparadas, com base na responsabilidade objetiva da União prevista na Constituição Federal.