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Feirão em MS revela peso do parcelamento de dívidas na renegociação com credores

casal analisa boletos e faturas com calculadora e notebook sobre a mesa, representando renegociação e parcelamento de dívidas em Mato Grosso do Sul.
Consumidores de Mato Grosso do Sul usam o Feirão Limpa Nome para renegociar débitos e aderir ao parcelamento de dívidas com grandes descontos. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

O parcelamento de dívidas virou peça central na tentativa de consumidores de Mato Grosso do Sul reorganizarem o orçamento e limpar o nome. Levantamento da Serasa mostra que, em apenas duas semanas do Feirão Limpa Nome, 26,8% das negociações realizadas no Estado foram fechadas em parcelas. Isso indica preferência por acordos que caibam no bolso sem comprometer todo o salário.

Parcelamento ganha espaço e dá sensação de controle

No período analisado, 39,9 mil acordos de renegociação de dívidas foram firmados em Mato Grosso do Sul. Desse total, 10,7 mil foram concluídos com pagamento parcelado. Isso consolidou a modalidade como uma das principais portas de saída da inadimplência. Para a Serasa, a escolha mostra que o consumidor busca previsibilidade nas contas e tenta fugir de soluções imediatistas que, muitas vezes, não resolvem o problema.

A pesquisa aponta que 63% dos entrevistados veem o parcelamento como alternativa viável para quitar débitos. Além disso, 61% relatam maior sensação de controle ao aderir às parcelas, justamente por entenderem que, assim, conseguem reorganizar as finanças sem acumular novos atrasos. Essa percepção ajuda a explicar o crescimento da modalidade dentro das campanhas de renegociação.

Endividamento também nasce da falta de planejamento

Os dados da Serasa revelam, ainda, que 12% dos consumidores ouvidos admitem ter se endividado por falta de organização financeira. Já 3% tiveram o nome negativado justamente por descontrole no uso do parcelamento na hora de comprar. Com isso, fica evidente que a mesma ferramenta que ajuda a sair da inadimplência pode agravar a situação quando é usada sem planejamento.

A especialista em educação financeira da Serasa, Patrícia Camillo, lembra que o parcelamento faz parte da cultura de consumo no país. No entanto, precisa ser encarado como extensão do planejamento, não como complemento permanente da renda. Na avaliação dela, o crédito deve ser usado para antecipar compras pontuais e importantes. Deve sempre haver espaço no orçamento para absorver as prestações.

A pesquisa mostra também que 55% dos entrevistados entendem que o parcelamento permite acesso a produtos e serviços. Sem ele, não conseguiriam pagar à vista. Esse comportamento reforça o papel da modalidade como ampliadora do consumo. No entanto, exige uso consciente para evitar que a facilidade vire um novo motivo de inadimplência.

Feirão oferece descontos altos e parcelas baixas

No Feirão Limpa Nome, as ofertas incluem parcelas a partir de R$ 9,90. Há também descontos que chegam a 99% sobre o valor total da dívida, dependendo do caso. A campanha reúne mais de 1,6 mil empresas parceiras, o que aumenta a chance de o consumidor encontrar condições compatíveis com a própria realidade financeira. Em todo o país, o programa contabiliza 738.662 acordos parcelados desde o início da atual edição.

Os motivos para escolher o parcelamento também aparecem com clareza no levantamento: 42% dos participantes dizem optar por essa forma de pagamento porque as prestações são consideradas acessíveis. Já 37% afirmam priorizar a modalidade pela possibilidade de regularizar o nome após a primeira parcela. Isso devolve mais rapidamente a capacidade de compra e de contratação de serviços.

Brasil ainda convive com alto número de inadimplentes

Mesmo com campanhas massivas de renegociação, o país ainda convive com um nível elevado de endividamento. Em setembro, o Brasil somava 79,1 milhões de inadimplentes, número 0,40% maior que o registrado em agosto. A maior concentração está entre pessoas de 41 a 60 anos, que representam 35,4% dos negativados. Na sequência aparecem os consumidores de 26 a 40 anos, com 33,8%; os maiores de 65 anos, com 19,5%; e os jovens de 18 a 25 anos, que somam 11,3% do total.

Esse retrato reforça a importância de ações como o Feirão Limpa Nome. Sobretudo, é essencial a educação financeira contínua. Afinal, o parcelamento de dívidas pode ser aliado poderoso na reconstrução do crédito. Todavia, cobra disciplina, leitura atenta dos contratos e limites claros para que a solução não se transforme em mais uma armadilha no orçamento.