
A chegada de um novo ano costuma vir acompanhada de expectativas elevadas, promessas de mudança e metas ambiciosas. Para muitas pessoas, porém, esse cenário também provoca ansiedade, frustração e sensação de incapacidade. Segundo o psicólogo e neurocientista Jefferson Morel, a principal causa está na forma como os objetivos são planejados.

De acordo com o especialista, metas pouco realistas ou genéricas tendem a gerar mais ansiedade do que motivação.
“Quando o planejamento não é alcançável, ele aumenta a pressão interna. O ideal é estabelecer objetivos pequenos, concretos e possíveis, que possam ser ajustados ao longo do caminho”, afirma.
Morel explica que o planejamento ativa regiões do cérebro responsáveis pelo foco, pela atenção e pelo controle das emoções. “Planejar reduz a ansiedade porque tira a pessoa do modo automático. Ela passa a ter mais clareza do que está fazendo e por quê”, diz.
Anotar metas no papel ou em aplicativos também é uma estratégia recomendada. Segundo o psicólogo, externalizar os pensamentos ajuda a torná-los mais objetivos e menos ameaçadores. “Quando ficam só na mente, os problemas parecem maiores. No papel, eles ficam mais claros e muitas vezes perdem força”, afirma.
Outro erro comum, segundo ele, é criar listas extensas e difíceis de cumprir. Para evitar frustrações, a orientação é dividir grandes objetivos em etapas menores. “O cérebro resiste a metas muito difíceis. Quando você começa pequeno, cria sensação de progresso e engajamento”, explica.
O especialista também alerta para o excesso de autocrítica, comum no início do ano, especialmente após comparações com outras pessoas. “A comparação quase nunca é justa. É preciso trabalhar a autocompaixão e entender que o planejamento não é imutável. Recalcular a rota faz parte do processo”, afirma.
Morel destaca ainda que o contexto atual, marcado por imediatismo e excesso de estímulos, tem dificultado o desenvolvimento da resiliência emocional, especialmente entre jovens. “Existe uma dificuldade crescente de lidar com o tédio e com a frustração. Isso impacta diretamente a forma como as pessoas lidam com metas e expectativas”, diz.
Para quem já começou o ano se sentindo desmotivado ou cansado, o conselho é rever objetivos e reduzir a pressão interna. “Ser mais justo consigo mesmo, revisar metas e aceitar que nem tudo está sob controle são passos importantes para um início de ano mais saudável”, conclui.