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Primeira SAF de MS, Pantanal mira Série B do Brasileirão em 5 anos

Presidente Mazinho detalha investidores, estrutura, base, calendário cheio em 2026 e a estreia no Estadual contra o Operário

Pantanal é um dos favoritos a conquistarem o Campeonato Estadual 2026 - Foto: Reprodução/Rede Social
Pantanal é um dos favoritos a conquistarem o Campeonato Estadual 2026 - Foto: Reprodução/Rede Social

O Futebol Clube Pantanal inicia a temporada 2026 com um projeto que tenta ir além do Campeonato Estadual. Primeiro clube de Mato Grosso do Sul a se tornar Sociedade Anônima de Futebol (SAF), o time da Capital chega ao ano com calendário cheio, presença confirmada em competições nacionais e um objetivo declarado que chama atenção pela ambição: buscar, em até cinco anos, um lugar na Série B do Campeonato Brasileiro.

Gilmar Ribeiro, o Mazinho, nos estúdios da Massa FM Campo Grande – Foto: Fernando de Carvalho/Portal RCN67

A meta foi apresentada pelo presidente do clube, Gilmar Ribeiro, o Mazinho, durante entrevista exclusiva à Massa FM Campo Grande. Segundo ele, o Pantanal vem crescendo em ritmo acelerado desde 2023, quando ainda disputava competições com outra identidade, e conseguiu antecipar etapas do planejamento esportivo com a chegada de novas vagas e definições no calendário do futebol nacional.

“A gente sonha de colocar o Pantanal nos próximos cinco anos aí na Série B do Brasileiro. Então esse é um propósito nosso”, afirmou.

SAF no Pantanal: modelo de empresa e atração de investidores

Na entrevista, Mazinho explicou que a mudança para SAF tem relação direta com o modelo de gestão e com a capacidade de atrair investimento privado, algo que costuma ser mais difícil em clubes tradicionais, por questões de controle, transparência e organização administrativa.

Ele resumiu o conceito de maneira simples, para o torcedor entender o que muda na prática.

“A SAF nada mais é do que uma empresa. O clube de futebol tem um dono, diferente do clube associativo”, disse.

Segundo o presidente, o formato dá mais segurança para empresários que pensam em investir no futebol e permite que o clube tenha um planejamento mais sólido de médio e longo prazo, com estrutura profissional e menos instabilidade ao longo da temporada.

De “Portuguesa” ao Pantanal: mudança de identidade e consolidação do projeto

O Pantanal começou a estruturar o projeto em 2023, ainda com o nome Portuguesa. Naquele ano, a equipe conquistou o título da Série B do Estadual e passou a planejar os próximos passos.

Em 2024, no entanto, a diretoria decidiu que o nome antigo carregava um limite de crescimento, principalmente por conta da associação com a Portuguesa de São Paulo.

Foi nesse contexto que surgiu o nome Pantanal, com referência direta ao Estado. Mazinho contou que a sugestão foi dada durante uma visita ao governador, em que o clube apresentou alternativas para a mudança de marca.

“A gente fala que o nome escolhido foi uma sugestão do próprio governador… ele olhou, gostou… falou: ‘Mas por que não Pantanal?’”, relatou.

A formalização como SAF veio na sequência. Em novembro de 2024, o clube passou oficialmente ao modelo empresarial, se tornando o primeiro do Estado nesse formato.

Quem investe no Pantanal e o que pode mudar com novas parcerias

Questionado sobre quem está por trás da SAF, Mazinho afirmou que já existe um investidor oficializado e que o clube está em tratativas com outros nomes. Entre os citados está Guto Dobes, ligado ao Grupo Dallas, além de um investidor sul-mato-grossense que já estaria aportando recursos, mas ainda sem anúncio público.

“Oficializado, a gente tem o Guto Dobes… e também temos a entrada de um possível investidor que já está, inclusive, fazendo aporte, só não oficializou ainda”, afirmou.

Há a possibilidade de uma aproximação com a Agroplay, escritório sertanejo que agencia inúmeros artistas, como Ana Castela e Júlia&Rafaela. O presidente explicou que esteve em Londrina (PR) conversando com representantes do projeto e que existe a chance de uma parceria maior no futuro, incluindo fusão de operações.

“Provavelmente a gente possa ter também uma fusão entre Agroplay e Pantanal”, declarou.

Estrutura e bastidores: staff maior, CT e tecnologia no treino

Além do elenco, a entrevista também entrou nos bastidores do clube, com destaque para mudanças na estrutura interna. Mazinho afirmou que o Pantanal saiu de um modelo muito apoiado em voluntários para um time de trabalho maior, com profissionais remunerados, o que, para ele, representa um passo essencial para consolidar o projeto.

“A gente fez uma reunião de início de ano com toda a equipe, deu 32 na staff. Para mim, é um marco muito importante”, disse.

Na parte física, o clube usa o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) como centro de treinamento e também conta com outros espaços na Capital. Entre as melhorias citadas estão refeitório e alojamento dentro do CT, além de parcerias na área médica e utilização de tecnologia para acompanhar o desempenho do elenco em campo.

Gilmar Ribeiro, o Mazinho, nos estúdios da Massa FM Campo Grande – Foto: Arthur Ayres/Portal RCN67

Mazinho afirmou que os atletas treinam com equipamentos de monitoramento e que o clube trabalha com ferramentas voltadas para prevenção de lesões, buscando um padrão que, na avaliação dele, se aproxima do que é usado por equipes de divisões superiores do futebol brasileiro.

Contratações e o desafio de atrair jogadores para o futebol de MS

Um dos pontos mais delicados do futebol sul-mato-grossense é a dificuldade de competir no mercado de contratações, principalmente por falta de visibilidade nacional e por histórico de clubes com atrasos salariais. Mazinho reconheceu que isso existiu no início do projeto, quando o Pantanal ainda era Portuguesa.

“No primeiro ano, a gente teve que pagar o salário adiantado para o jogador, por causa da desconfiança do futebol do Mato Grosso do Sul”, contou.

Segundo ele, o cenário mudou com o passar das temporadas, especialmente pelo retorno dos próprios atletas que passaram pelo clube e falam bem do ambiente, o que ajuda a atrair novos nomes para o elenco.

Base como prioridade e plano de clube formador

O presidente também reforçou que o Pantanal tenta construir um projeto com identidade local, com investimento na categoria de base desde 2023. Ele afirmou que a meta é tornar o Pantanal o primeiro clube formador de Mato Grosso do Sul em 2026.

“Hoje nós temos no elenco principal quatro atletas… 16 anos e os quatro vão compor elenco”, afirmou.

A ideia, segundo Mazinho, é que os talentos do Estado tenham mais chance de se desenvolver dentro do próprio Mato Grosso do Sul, sem precisar sair cedo para outros centros do futebol brasileiro.

Calendário cheio em 2026: Estadual, Copa do Brasil e Série D

O Pantanal se prepara para disputar o Campeonato Sul-Mato-Grossense, além de viver a primeira participação da história na Copa do Brasil. Também existe expectativa de disputa da Série D do Brasileiro.

“A gente está fazendo o nosso dever de casa, que é trabalhar para ser um dos favoritos do Campeonato Estadual. E também a gente espera passar de uma ou duas fases da Copa do Brasil”, afirmou.

Outro destaque foi o futebol feminino. O presidente lembrou que o Pantanal foi campeão estadual e projetou uma temporada com calendário mais forte em 2026, com possibilidade de acesso em competições nacionais.

Estreia contra o Operário e clima de revanche no Estadual

A estreia do Pantanal no Campeonato Estadual será diante do Operário, em jogo antecipado, neste domingo (18). O confronto vem cercado de expectativa porque o Operário eliminou o Pantanal no Estadual do ano passado. “A gente foi injustiçado no primeiro jogo. A arbitragem foi muito omissa”, declarou.

Ele disse ainda que o Operário tem tradição e peso de camisa, mas afirmou que o Pantanal entra em 2026 buscando disputar espaço em Campo Grande em condição de igualdade.

Torcida, camisa e a força do nome “Pantanal”

Apesar de ser um clube jovem, Mazinho afirmou que o Pantanal vem ganhando torcida de forma rápida, inclusive fora de Mato Grosso do Sul. Ele atribui parte desse alcance ao próprio nome do clube, que tem reconhecimento nacional e internacional.

“É surpreendente o crescimento da torcida do Pantanal, é surreal. Não é só local. Ela vem do Brasil inteiro”, disse.

O presidente também comentou sobre a comercialização do uniforme e confirmou parceria com lojas físicas para venda da camisa na Capital, buscando aproximar o clube do público e reforçar a identidade do torcedor com o time.

Estádio e Copa do Brasil: desafio estrutural em Campo Grande

Outro ponto abordado foi a estrutura de estádios em Campo Grande. Mazinho reconheceu que a Copa do Brasil exige padrões que nem sempre são fáceis de atender, e que o clube aguarda definição do sorteio de mando de campo para saber o tamanho do desafio logístico.

A prioridade, segundo ele, é manter a partida dentro do Estado, mas existe possibilidade de buscar alternativas caso não haja condição adequada.

“Não é fácil fazer futebol no MS”, diz presidente ao pedir apoio

Mazinho reforçou que o Pantanal ainda enfrenta limitações estruturais do futebol local, principalmente pela falta de um estádio ideal e pelo histórico de dificuldades do esporte no Estado.

“O Pantanal vem pra fazer história no Mato Grosso do Sul e não é fácil fazer futebol no Mato Grosso do Sul… é uma luta constante”, afirmou

Confira a entrevista na íntegra: