
Mercadorias apreendias avaliadas em R$ 120 milhões foram destinadas a entidades sociais e a órgãos públicos pela Receita Federal em Mato Grosso do Sul nos últimos cinco anos. As destinações ocorreram entre 2021 e 2025, por meio da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande e das alfândegas de Ponta Porã, Corumbá e Mundo Novo.
Segundo o órgão, os produtos entregues incluem veículos, como ônibus e utilitários, além de eletroeletrônicos, equipamentos hospitalares e itens diversos usados em bazares beneficentes. As ações visam dar finalidade social a mercadorias retiradas do mercado ilegal.
Tipos de mercadorias e formas de destinação
Entre os itens doados ou incorporados estão celulares, perfumes, roupas, calçados e acessórios. Também houve a incorporação de veículos e equipamentos para uso direto por órgãos públicos.
De acordo com a Receita Federal, mercadorias apreendidas podem ter quatro destinações legais. Elas podem ser leiloadas, destruídas, incorporadas ao patrimônio público ou doadas a entidades sem fins lucrativos.
Entre 2021 e 2022, o volume de destinações foi impactado pela pandemia da Covid-19. O período registrou queda no número de apreensões e, consequentemente, redução nos processos de destinação.
Em 2021, o valor das mercadorias doadas somou R$ 10,9 milhões. Já em 2022, o montante subiu para R$ 12,1 milhões.
Em 2023, as destinações praticamente triplicaram e ultrapassaram R$ 31 milhões. No ano seguinte, em 2024, o valor total recuou para R$ 10,9 milhões.
Em 2025, no entanto, o Estado registrou um recorde histórico. As mercadorias destinadas a órgãos públicos e entidades sociais totalizaram R$ 54,7 milhões.
Receita prioriza pedidos de entidades sociais
O delegado-adjunto da Receita Federal em Campo Grande, Henry Tamashiro de Oliveira, afirma que o órgão tem priorizado pedidos de doações feitos por entidades filantrópicas. Somente em 2025, foram abertos 120 processos de destinação em Mato Grosso do Sul.
“Em Campo Grande, especificamente, temos visitado diversas entidades antes de autorizar as destinações. Queremos conhecer de perto a realidade de cada uma, suas urgências e suas dores”, explica.
O delegado acrescenta que as equipes da Receita passaram a visitar as instituições antes da autorização das doações. A medida busca compreender a realidade de cada entidade e tornar o processo mais eficiente.
Segundo a Receita Federal, as visitas aumentam a segurança e a transparência das destinações. Além disso, permitem priorizar casos considerados mais urgentes.
O delegado ressalta que a fiscalização impede que mercadorias ilegais cheguem ao mercado formal.
“Sem as ações de fiscalização da Receita Federal e de outros órgãos da União, essas mercadorias teriam chegado ao mercado ilegalmente, prejudicando comerciantes que atuam dentro da lei”, finaliza o delegado.
*Com informações da Receita Federal