
O Sicredi encerrou 2025 com expansão da base de associados, fortalecimento da atuação no agronegócio e presença em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. Os dados foram apresentados durante coletiva de imprensa com o diretor-presidente do banco cooperativo, César Gioda Bochi, e o presidente da Central Sicredi Brasil Central, Celso Figueira, que detalharam os resultados e os desafios do sistema no atual cenário econômico.
Segundo Bochi, o modelo cooperativista tem como base a combinação entre atuação nacional e presença local, com foco nas características econômicas de cada região.
“A gente preza muito pelo local. A atuação corporativa leva soluções e tecnologia, mas quem faz a diferença é a cooperativa no município”, afirmou.
Ele destacou ainda o peso do agronegócio na estratégia do sistema, ressaltando que o Sicredi é hoje o segundo maior financiador do setor no país.
Presença em todos os municípios de MS
Durante a coletiva, Celso Figueira afirmou que Mato Grosso do Sul concentra uma das atuações mais consolidadas do sistema no Brasil. De acordo com ele, o Estado conta atualmente com agências em todos os 79 municípios.
“Aqui é o nosso berço. Estamos muito satisfeitos com os resultados de 2025, mesmo diante das dificuldades econômicas”, declarou.
O dirigente informou ainda que o Sicredi soma cerca de 410 mil associados no Estado, número que vem crescendo nos últimos anos.
Cooperativismo como diferencial
Ao comentar o cenário econômico mais restritivo, marcado por juros elevados e instabilidade, os dirigentes destacaram o papel do cooperativismo na aproximação com os associados.
Para Figueira, o modelo se diferencia por não atuar apenas como instituição financeira tradicional.
“Nós somos uma sociedade de pessoas. O resultado volta para quem ajudou a construí-lo”, afirmou.
Bochi reforçou que, em momentos de crise, o foco é preservar a atividade dos associados.
“Não é salvar a cooperativa. É salvar o associado, seja no agro, no comércio ou na indústria”, disse.
Expansão física e investimento em relacionamento
Mesmo com o avanço dos serviços digitais, o Sicredi mantém a estratégia de expansão presencial. Segundo Bochi, mais de 96% das transações já são feitas por canais eletrônicos, mas a presença física continua sendo considerada essencial.
“Não é só transação. É visitar, entender a dificuldade e construir solução junto”, afirmou.
Atualmente, o sistema conta com cerca de 3 mil agências no país e aproximadamente 50 mil colaboradores.
Impacto econômico e social
Durante a apresentação, Bochi destacou dados sobre o impacto do cooperativismo na economia local. Segundo ele, municípios com atuação do Sicredi registram aumento no número de empreendedores, empregos e no Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo ele, o Sicredi calcula que, em 2024, os associados tiveram um benefício econômico estimado em R$ 25 bilhões, considerando juros menores, rendimentos, sobras e investimentos sociais.
Além disso, o sistema investiu cerca de R$ 430 milhões em ações sociais no país naquele ano.
Em Mato Grosso do Sul, Celso Figueira citou, como exemplo, a construção de um hospital em Dourados voltado ao atendimento de pacientes com câncer.
“É uma forma concreta de devolver à comunidade o resultado do trabalho”, afirmou.
Planos para o futuro
Questionados sobre os próximos passos, os dirigentes afirmaram que a prioridade é crescer sem perder as características do cooperativismo.
Bochi destacou investimentos em capacitação de funcionários, tecnologia e segurança digital, além do fortalecimento da educação financeira.
“Não existe cooperativa rica com associado pobre. O objetivo é gerar prosperidade conjunta”, afirmou.
Segundo ele, apesar do crescimento acelerado nos últimos anos, o cooperativismo ainda representa cerca de 6% a 7% do mercado financeiro brasileiro, o que indica potencial de expansão.
Educação financeira e combate ao endividamento
Outro ponto abordado foi o aumento do endividamento das famílias. Bochi alertou que, apesar do amplo acesso ao sistema bancário, muitos brasileiros enfrentam dificuldades para administrar os próprios recursos.
“O problema hoje é a qualidade do uso do crédito. A cooperativa precisa ajudar o associado a mudar comportamento”, afirmou.
De acordo com ele, ações de orientação e acompanhamento financeiro fazem parte da estratégia para fortalecer o relacionamento de longo prazo.