
No trimestre de agosto a outubro de 2025, as exportações brasileiras do agronegócio para os Estados Unidos recuaram 31,3% após a aplicação de sobretaxas pelo governo norte-americano.
O impacto aparece com clareza em Mato Grosso do Sul, onde Três Lagoas e Campo Grande somaram perdas de US$ 78 milhões no período — cerca de R$ 425 milhões, considerando a cotação média do dólar em torno de R$ 5,45 no trimestre.
Em Três Lagoas, a redução nas vendas externas chegou a US$ 42 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 229 milhões, com efeito direto sobre o setor de celulose, principal item da pauta exportadora local.
Já Campo Grande acumulou perda de US$ 36 milhões, cerca de R$ 196 milhões, impactando sobretudo a cadeia da carne bovina.
Setores mais atingidos no trimestre
No recorte nacional, a retração nas exportações do agronegócio alcançou US$ 973,1 milhões no mesmo intervalo. A celulose teve queda acumulada de US$ 137 milhões nas vendas para os Estados Unidos, sendo US$ 68 milhões apenas em outubro.
A carne bovina in natura registrou perda de US$ 169,6 milhões, tornando-se o segmento mais afetado pelo tarifaço no período.
Outros produtos também apresentaram retração significativa, como o açúcar de cana, que praticamente deixou de ser exportado ao mercado norte-americano, com impacto de US$ 111,3 milhões, e o café verde, que teve perda estimada em US$ 71 milhões no trimestre.
Impacto local e preocupação econômica
Além das cidades sul-mato-grossenses, municípios como Imperatriz (MA) e Santa Cruz do Sul (SC) também figuraram entre os mais afetados no período analisado. Em Mato Grosso do Sul, o peso das perdas preocupa pela forte dependência econômica de setores voltados à exportação.
A redução no volume embarcado entre agosto e outubro de 2025 tende a pressionar a arrecadação municipal, a cadeia logística e a manutenção de empregos, especialmente em polos industriais e agroindustriais ligados ao comércio exterior.
Busca por alternativas comerciais
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios aponta que produtores afetados pelas tarifas têm buscado apoio local para diversificar mercados e reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos.
A principal preocupação dos municípios é evitar que a queda registrada no trimestre se prolongue ao longo de 2026.