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Campo Grande, 17 de agosto

Primeira morte em conflito entre PM e indígenas é confirmada

Em carta, Conselho Indígena afirma que houve duas mortes, enquanto outro grupo aponta até cinco óbitos

Por Nyelder Rodrigues
24/06/2022 • 18h10
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Foi confirmado há pouco a primeira morte provocada pelo conflito entre policiais militares do BPChoque (Batalhão de Polícia Militar de Choque) e indígenas em Amambai, município que fica a 351 km de Campo Grande, perto da fronteira com o Paraguai. Além dessa morte, confirmada, 10 pessoas ficaram feridas no confronto, sendo três policiais.

Tudo aconteceu na fazenda Borda da Mata, em área que vive tensão há um mês. No fim de maio, um ato de retomada dos indígenas foi feito ali, mas logo a situação foi controlada. Contudo, ontem (23), nova retomada foi feita como protesto contra a instituição de Marco Temporal que deve dificultar a demarcação de novas terras indígenas no Brasil.

Logo cedo nesta quarta-feira foi iniciado o conflito, que contou com policiais militares da própria região de Amambai como especializado do BPChoque, de Campo Grande. Inicialmente, haviam seis indígenas feridos e três policiais - estes últimos levamente.

Todos foram levados para o Hospital Regional de Amambai, sendo que dois indígenas precisaram de maior atenção por estarem com lesões graves, um com uma perfuração na barriga, e outro com uma fratura no fêmur, osso da perna - mais precisamente na região da coxa.

Já mais tarde, mais duas pessoas chegaram à unidade hospitalar: uma delas já morta, um indígena do sexo masculino, de 25 anos, e um adolescente indígena ferido. Conforme revelado pela por funcionários do hospital, as equipes estão prontas para receber mais feridos.

Essa possibilidade se deve a relatos dos próprios policiais. Entidades indígenas, como é o caso do Conselho Indígena Kaiowá Guarani, o Aty Guasu, apontam que houveram duas mortes, em carta publicada no perfil oficial. Já o grupo de juventude Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul postou que as mortes podem chegar a cinco.

CONTRA TRAFICANTES

Apesar das alegações de que a ação foi realizada para expulsar os indígenas da área, que eles reivindicam como integrante do território Guapo'y Mirim - nas cercanias da região conhecida como Sertãozinho, aos fundos da Aldeia Amambai -, as autoridades estaduais refutam esse como motivo da operação e da presença do BPChoque no local.

Em coletiva de imprensa no fim da tarde desta sexta, o chefe da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), Antonio Carlos Videira, afirmou que todo trabalho foi feito para conter o avanço de indígenas traficantes na região da Aldeia Amambai.

"São indígenas de roças de maconha no Paraguai que vem para cá e estavam buscando destituir a liderança eleita, instalando o caos naquela região", explicou Videira à imprensa, poucos antes de ser confirmada a morte do primeiro indígena no conflito.

Equipes da PF (Polícia Federal) foram destacadas para irem até a região junto a integrantes do MPF (Ministério Público Federal). O objetivo agora é apaziguar os ânimos na área, que fica perto de outro ponto de tensão, em Naviraí, onde outra retomada fez o nível de insegurança subir. Lá, por ora, não houve intervenção policial, nem registro de feridos.

APARATO

Além do BPChoque e PM regional, a ação também contou com um helicóptero, que auxiliou o trabalho policial pelo ar. Em vídeo divulgado pela Aty Guasu em sua página, é possível ver o equipamento de voo dando vários rasantes sobre os indígenas em solo.

 

 

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