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Tecnologia - Quantidade é qualidade?

Não. Há tempos que sabemos que quantidade não caminha, necessariamente, junto com a qualidade. Uma pena, mas é assim desde priscas eras

À maior torcida nem sempre corresponde o melhor time (como bem sabem os botafoguenses). E o sujeito mais votado nem sempre é exatamente o mais honesto e competente… As notícias socialmente mais relevantes costumam ter menos ibope. E isso vale também para indústria cultural, serviços, entretenimento, informação, tecnologia, e por aí afora. No mundo da massificação das ideias via internet, essa velha verdade fica ainda mais patente.


Já era assim antes dela, claro, mas a rede potencializou não só o melhor, mas também o pior da Humanidade. Não por acaso, é crescente o número de críticos da internet, alertando para o fato de que tanta informação largada pelo ciberespaço não tem contribuído nadinha para a educação e a cultura dos internautas.

E a situação fica ainda mais crítica quando falamos de redes sociais. Segundo divulgou ontem a eMarketer, nada menos que 1,6 bilhão de pessoas vão usar alguma rede social este mês. A maioria estará no Facebook, que baterá 1,02 bilhão de usuários ainda este ano.Mas temos também Twitter, Instagram, Google+ etc. Em todas essas comunidades, estará algo como 23% da população mundial.

E o Brasil? Nada menos que 73,5% dos internautas do país acessam o Facebook – 12,8% mais que no mesmo período de 2012. A segunda rede mais acessada está bem longe. Trata-se do YouTube, com 16,34% das visitas nossas de cada dia.

Pois bem: o que há de qualidade realmente nessa farra toda é uma questão de foro íntimo, como se diz noutras instâncias… Mas tenho lido muita gente reclamando do conteúdo em sua timeline, ou seja, aquela lista de posts escritos ou indicados pelos amigos virtuais. Com isso, alguns resolvem tirar férias de Facebook, o que me parece bastante compreensível, mas não costuma melhorar muito a qualidade geral.

Ora, quem cria a timeline é o próprio usuário. Ele é o responsável pelo que está lendo. Portanto, o segredo é escolher quem são as suas companhias.

A propósito: como os papais estão cada vez mais integrados ao Facebook, seus filhos estão migrando para apps que permitem, digamos assim, mais privacidade entre eles. Nos EUA, a tendência já vem de longe. Qualquer hora, chega por aqui. Ou seja: se você está pensando em investir nas redes sociais, talvez tenha que reservar uma grana extra para pesquisar também o mundo dos apps.

Não é por acaso que "o WhatApp virou um novo Facebook", como diz um veterano analista da imprensa e arguto observador das redes sociais. Tudo a ver.

CURTAS
■ CHEIRO DE FOFOCA

Por falar em apps: está para sair por aqui, oficialmente, o Lulu, um aplicativo exclusivo para mulheres. Qual o objetivo dele? Avaliar, anonimamente, o desempenho e o comportamento da rapaziada. Se é que vocês me entendem, as meninas criaram um programinha para fazer o ranking dos ex-namorados, ex-casos etc e tal. Prato cheio para fofocas, vinganças e aleivosias. É disso que vive a web, ou não?

■ MAS A CULPA É DA WEB?

Não. A rede é apenas um canal. Canal criado pelo britânico Sir Tim Bernes-Lee, que ganhou o título honorífico justamente pela sua invenção. Ele toca a Word Wide Web Foundation, que se dedica a tentar melhorar o nível da Humanidade, digamos assim. Semana passada, a fundação divulgou estudo mostrando que o Brasil está na 33ª posição do Web Index Report, que avalia o quanto um país usa a rede em favor dos direitos humanos, assim como no desenvolvimento do seu povo. Para quem é tão viciado em internet, como o brasileiro, esse resultado não é dos melhores. Mostra que sim, estamos todos conectados, mas cada um por si, e a banda larga por todos. Projetos comuns não são mesmo o forte dos brasileiros.

■ NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Na verdade, o estudo da WWWF mostra que o Brasil tem destaque relevante no uso das redes sociais. Mais especificamente, na organização de protestos e manifestações como as passeatas que tomaram o país nos últimos meses – e que, aliás, acabaram sumindo. Se sumiram, não foi por culpa da web. Terá sido tudo um fogo de palha? Tomara que não.

■ DA CAPO

Outro ponto importante levantado pela WWWF é que a desigualdade, que já conhecemos de longa data, também está presente na internet. E nem poderia ser diferente. Segundo a fundação, os usuários que têm mais estudos estão mais tempo conectados do que o pessoal com menor nível de escolaridade. E assim, voltamos ao início desta página: ter mais estudo não significa, necessariamente, produzir conteúdo relevante para todos.