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Exército de Três Lagoas homenageia ex-combatentes da Segunda Guerra

Em comemoração ao Dia do Soldado, comando da 3ª Bateria de Artilharia Antiaérea oferece Medalha da Vitória a veteranos

Por Sergio Colacino
26/08/2017 • 09h31
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Dois ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que atuaram na Segunda Guerra Mundial, foram homenageados pela 3ª Bateria de Artilharia Antiaérea, de Três Lagoas, nesta sexta-feira (25). Haroldino Batista Fernandes e Manoel Domingos receberam a Medalha da Vitória, em comemoração ao Dia do Soldado. Os dois são os únicos veteranos da Segunda Guerra ainda vivos na região.

A entrega das medalhas ocorreu durante a cerimônia de formatura de cerca de 100 novos militares. Na solenidade, o Major Rafael Salgado da Silva, comandante do Exército em Três Lagoas, reconheceu a importância da participação dos ex-combatentes e a inspiração das histórias de vida para os novos militares. “Desde o ano passado estávamos aguardando uma solenidade para prestar essa homenagem a esses homens que representaram nossa pátria. Os dois estiveram no Teatro de Operações da Itália, saindo do Brasil e defendendo os ideais de liberdade na Europa”, explica. 

A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial começou em 1942, quando a posição de neutralidade no conflito entre o Eixo (Alemanha, Japão e Itália) e os Aliados (Estados Unidos, Inglaterra, França, União Soviética, entre outros) acabou, depois de embarcações brasileiras serem atingidas e afundadas por submarinos alemães no Oceano Atlântico. Foi criada, então, a Força Expedicionária e em torno de 25 mil militares foram enviados para a Europa. “Não há nenhuma memória boa da guerra. Mas fico muito feliz em receber essa homenagem”, diz Manoel Domingos, de 96 anos. “Eu agradeço por viver até hoje. 
Fiquei 13 meses na Itália, quando chegou a notícia que iríamos voltar para o Brasil, eu nem acreditei”, completa o veterano, que perdeu a mãe durante a guerra e só descobriu ao voltar para casa. Os anos seguintes foram traumáticos. Segundo Idelfonso Domingos, filho do ex-combatente, que nasceu um ano após o fim da guerra, o pai pouco falava do que viu durante o combate.

Soube pela mãe do abuso de bebidas, talvez para suportar as lembranças. Mas a experiência trouxe ensinamentos para a vida toda. “Temos muito orgulho da atitude dele. Na época muita gente desertou para não ir para a guerra. Quando eu era jovem perguntei a ele porque não fez isso, pois se ele não tivesse voltado eu não teria nascido. E ele respondeu: ‘você gostaria que algum amigo seu dissesse que seu pai, em vez de defender a pátria, tivesse fugido? Nem condições de defender a minha família eu teria’. São princípios que ele passou e que engrandecem a vida da gente”, diz orgulhoso.

Já Haroldino Batista Fernandes traz nas lembranças o alistamento voluntário, feito para evitar que os irmãos fossem para a guerra. “Não sabiam nem o que era uma arma de fogo”, conta. Na guerra, fez parte da infantaria, linha de frente da batalha. Atuou na cobertura dos soldados e ajudou no transporte de munições e prisioneiros de guerra. “Vi muitos alemães. Mas não precisei atirar nenhuma vez”, recorda. Orgulhoso pelo reconhecimento, diz que pela pátria faria tudo de novo. Mas prefere os tempos de paz. “O horror (da guerra) não tem classificação. Guerra é guerra”, finaliza.

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