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Grupo que controla Eldorado pode ter pago R$ 10 milhões em propina

Em troca de incentivos fiscais, grupo J&F teria pago propina para organização criminosa

Por Ana Cristina Santos
11/05/2017 • 13h20
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O grupo J&F, que detém um conglomerado de investimentos, entre eles, a empresa de celulose Eldorado Brasil, em Três Lagoas, e o frigorífico JBS, é acusado de ter pago propina em troca de incentivos fiscais concedidos pelo governo do Estado.

O grupo pode ter pago R$ 10 milhões por meio de doações de campanha e contratos fraudulentos a essa organização criminosa que, tinha como um dos integrantes, o ex- governador André Puccinelli (PMDB), segundo a Polícia Federal, Controladoria Geral da União e a Receita Federal, que deflagraram na manhã desta quinta-feira (11), a 4ª fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Máquinas de Lama.

A Eldorado Brasil foi um dos alvo da operação e teve documentos apreendidos pela Polícia Federal nesta manhã. Segundo o delegado da Polícia Federal, Cleo Mazzotti, 20% do montante financeiro que a empresa deixou de recolher em impostos, eram repassados aos integrantes do governo. A propina era paga por meio de empresas, doações de campanha, lavagem de dinheiro e aluguel fictício de maquinários das empreiteiras.

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O termo de isenção fiscal entre o grupo J&F e o governo do Estado, foi assinado na gestão do ex- governador André Puccinelli (PMDB), que prestou depoimento nesta manhã, mas deixou a sede da Polícia Federal para colocar uma tornozeleira eletrônica como medida cautelar alternativa à prisão. Também foi arbitrada fiança de R$ 1 milhão ao ex- governador. A reportagem não conseguiu falar com a assessoria de Puccinelli.

Em nota, a Eldorado confirma que a Polícia Federal realizou busca e apreensão em suas dependências em Três Lagoas. A companhia diz que está segura de que a questão será esclarecida e afirma que todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade. "A empresa se mantém à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais".

OPERAÇÃO

De acordo com PF, esta nova fase da investigação decorre da análise dos materiais apreendidos em fases anteriores, cotejados com fiscalizações, exames periciais e diligências investigativas, as quais permitiram aprofundar o conhecimento nas práticas delituosas da organização criminosa.

Segundo a polícia, restaram ratificadas as provas de desvios e superfaturamentos em obras públicas, com o direcionamento de licitações e o uso de documentos ideologicamente falsos a justificar a continuidade e o aditamento de contratos, com a conivência de servidores públicos.

Os valores repassados a título de propina eram justificados, principalmente, com o aluguel de máquinas. As investigações demonstraram que estas negociações eram, em sua maioria, fictícias, com o único propósito de aparentar uma origem lícita aos recursos financeiros. Em virtude deste estratagema criminoso, esta fase da operação foi batizada de Máquinas de Lama.

Ainda de acordo com as investigações, detectaram-se também novas motivações para o pagamento de propinas aos servidores públicos e a consequente tentativa de lavagem de dinheiro, dentre os quais a obtenção de benefícios e isenções fiscais. Entende-se que os prejuízos causados pelo grupo criminoso ao erário, levando-se em consideração os sobrepreços e desvios em obras públicas e as propinas pagas a integrantes da organização tem um valor aproximado de R$ 150 milhões.

 

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