Foi em pleno calor político da pandemia (sim, a pandemia no Brasil está politizada desde o primeiro instante) e em meio a número cada vez mais preocupantes de casos da Covid-19, escoltados de um lado e de outro por medidas flexibilizantes (que surgem e ressurgem , vão e vêm, nos mais diferentes quadrantes), que, repentinamente, o governo federal voltou a acenar com a possibilidade da reforma tributária.
Nada há de inoportuno nisso, muito pelo contrário. Mesmo tendo o novo coronavírus lançados uns contra o outro, governadores e presidente da República, com fortes cores eleitorais no politizado cadinho da pandemia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, puxou o assunto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, imediatamente soprou a brasa.
Uma reforma tributária nos moldes pretendidos pelo governo (que não esconde o desejo de criar algo semelhante à CPMF) tem pouca chance de prosperar num Congresso envolvido com uma eleição. Já uma proposta menos liberal, que reduza itens da carga tributaria e simplifique a vida de quem paga e de quem arrecada, pode ser imediatamente (ou mais facilmente) aceita e implementada.
As posições antagônicas são conhecidas. As propostas de reforma estão debatias à exaustão. Encaminhar uma solução pode, de fato, trazer sinais de que o País não está imóvel diante da pandemia, que está voltado para mudanças que atraiam capital externo, que melhorem a economia e as relações de trabalho, entre tantos outros efeitos positivos.
Para quem deseja e para quem precisa que as coisas andem e até se acelerem, ver a reforma iluminar o fim do túnel não deixa de ser alentador. Afinal, uma nova realidade tributária, com um reequilíbrio de forças e influências, pode ajudar muito na retomada das atividades econômicas que já começa a dar impacientes sinais de que está vindo aí e que não vai esperar pelo fim da pandemia.
A luta contra a Covid-19 continua e num quadro cada vez preocupante, a flexibilização não deve recuar na maioria dos casos, a política toma conta do debate turbinada pela campanha eleitoral. Se a reforma tributária vingar apesar de tudo isso, será ainda melhor. Basta para isso que os responsáveis pela condução do processo não se conformem em apenas discutir o assunto.
Decisão é o que se espera.