
Uma queda de braço foi iniciada nesta semana entre as prefeituras de Três Lagoas e Campo Grande para ver quem fica com uma locomotiva a vapor, conhecida por “Maria Fumaça”. O maquinário está parado no pátio da antiga Noroeste do Brasil (NOB) de Três Lagoas, área central da cidade há 40 anos.
Nesta semana, funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) estiveram em Três Lagoas para levar a locomotiva para compor o acervo patrimonial de Campo Grande. No entanto, a Prefeitura de Três Lagoas não permitiu a retirada, sob alegação de que o maquinário faz parte da história da cidade. A intenção da administração municipal de Três Lagoas é preservar não só a “Maria Fumaça”, mas todo o patrimônio da ferrovia em um museu que estaria sendo projetado.
Diante do impasse, foi necessária intervenção politica para garantir que a locomotiva ficasse em Três Lagoas. O prefeito Ângelo Guerreiro (PSDB) pediu ajuda da senadora Simone Tebet (MDB) e do ministro Carlos Marun (MDB) para não permitir a remoção do maquinário. Os emedebistas estiveram em Três Lagoas nesta semana participando da ordem de serviço para a restauração da BR-262, ocasião em que o pedido foi reforçado. Simone e Marun garantiram que a “Maria Fumaça” fica em Três Lagoas. Um ofício foi feito e será entregue ao Dnit nacional com essa solicitação.
De acordo com o diretor do Departamento de Cultura, Rodrigo Fernandes, essa locomotiva chegou em Três Lagoas nos anos de 1930 e recebeu a número 405. “A locomotiva estava inteira quando chegou aqui, tinga o vagão onde condicionava a lenha e a areia para a frenagem da máquina. Durante anos está abandonada, picotaram a máquina ao longo desses anos. Nos anos 90, ela já estava completamente inoperante nesse local, e no meio do mato”, destacou.
Rodrigo destacou que, somente após a administração atual limpar o local e passar a utilizar o espaço onde o maquinário está para a realização da Festa do Folclore é que o Dnit mostrou-se interessado. A polêmica entre a prefeitura e o Dnit não se restringe apenas a “Maria Fumaça”, mas também em relação à área.
O órgão federal quer construir sua sede no local. O diretor de Cultura discorda, pois entende que o espaço se configura como marco zero da cidade, e uma área sócio- cultural. Segundo Rodrigo, existe 300 mil metros quadrados de área vazia que pertencia a ferrovia no perímetro urbano, portanto, entende que o departamento poderia construir a sede em outro local.