
Por Humberto Grunewaldt
Durante o mandato, muitos políticos concentram seus esforços na produção orgânica de conteúdo para redes sociais acreditando que isso, por si só, está expandindo sua base eleitoral. Vídeos, reels, cortes, frases de efeito e posts bem editados. Em alguns casos, o conteúdo até viraliza. O problema é que viralizar não significa, necessariamente, comunicar com quem decide a eleição.
É aqui que entra a pré-campanha bem estruturada e o uso estratégico do tráfego pago como ferramenta de controle, segmentação e construção de base eleitoral.
O erro mais comum: confundir alcance com influência eleitoral
Um vereador de Campo Grande pode viralizar em São Paulo ou Manaus.
Um deputado estadual pode ter 70% do engajamento vindo de fora do estado.
Um pré-candidato pode acumular milhares de visualizações e, ainda assim, não fortalecer sua base real.
Ou seja: tempo, energia e conteúdo sendo jogados no escuro.
Sem controle de distribuição, você não sabe:
● Quem está sendo impactado
● Se está falando com eleitores reais
● Se está fortalecendo sua presença onde o voto acontece
Tráfego pago na pré-campanha não é sobre
“impulsionar”, é sobre controlar
O grande valor do tráfego pago na pré-campanha não está em “vender voto” o que,
inclusive, é proibido, mas em organizar a comunicação.
Com mídia paga, é possível:
● Direcionar a mensagem para a cidade, região ou estado correto
● Ajustar comunicação por bairro, faixa etária ou interesse
● Garantir que a autoridade construída chegue à base eleitoral real
● Testar narrativas, temas e formatos antes do período oficial
Em termos práticos, é transformar comunicação solta em estratégia de influência
territorial.
Autoridade e mobilização: o jogo começa antes da campanha
Pré-campanha não é pedido de voto.
É posicionamento, presença e reconhecimento.
É quando o eleitor começa a pensar:
● “Já ouvi falar desse nome”
● “Esse cara aparece sempre”
● “Esse discurso faz sentido pra minha realidade”
Aqui, o tráfego pago atua como amplificador inteligente, ajudando a:
● Consolidar imagem pública
● Reforçar causas e bandeiras
● Criar familiaridade e recorrência
● Mobilizar apoiadores silenciosos
Quando a campanha começa oficialmente, o terreno já está preparado e o custo por voto cai de forma significativa.
O fator ignorado por muitos: custo de mídia
Existe um dado que muda completamente o jogo. Fora do período eleitoral, o custo médio de mil impressões (CPM) gira em torno de:
● R$ 10 a R$ 20, dependendo da segmentação
Durante o período eleitoral, esse custo pode subir facilmente para:
● R$ 40 a R$ 50 o CPM, ou mais
Na prática, isso significa:
● Menos alcance pelo mesmo orçamento
● Mais concorrência por atenção
● Menos margem para erro
Quem deixa tudo para a campanha oficial paga mais caro para alcançar menos pessoas.
Por isso, 80% do jogo eleitoral acontece antes.
Tráfego pago sozinho não resolve; estratégia resolve!
É importante deixar claro:
tráfego pago isolado não ganha eleição.
Ele não substitui:
● Estratégia de comunicação
● Narrativa bem construída
● Conteúdo relevante
● Leitura de cenário político
● Coerência entre discurso e prática
Mas ele resolve um problema central que o orgânico não resolve: controle de distribuição. E em política, quem controla a comunicação, controla percepção.
Pré-campanha é gestão, não improviso
Pré-campanha bem feita não é sobre postar mais.
É sobre falar com quem importa, do jeito certo, no momento certo.
Quando estratégia, conteúdo e tráfego trabalham juntos, o candidato não começa a
campanha do zero ele começa em vantagem.
E vantagem, em eleição, não se improvisa. Se constrói.