Veículos de Comunicação

Jp 70 Anos

Uma cidade dentro da outra

Imagine uma cidade ser “encaixada” dentro de outra. Sim! E ocupando espaços urbanos de maneira desigual, com expansão que vai desde um simples lote de 10×20 até uma quadra inteira sem nada construído. Foi isso o que ocorreu em Três Lagoas como um dos efeitos danosos da explosão industrial dos anos 2000. A cidade inchou! A área urbana foi expandida com a construção de imóveis, a abertura de loteamentos e a construção de conjuntos habitacionais populares, principalmente na zona Oeste – uma das mais vazias e desvalorizadas da cidade até então.  

Um levantamento divulgado em fevereiro de 2011 pelo Setor de Tributação, da prefeitura, e publicado como reportagem especial pelo Jornal do Povo, mostrava que a cidade tinha, na época, 41,4 mil imóveis ocupados e 23,3 mil vazios – ou seja, uma cidade maior que todos os demais 62 municípios do Estado apenas com lotes sem construção.

Técnicos do órgão chamaram o fator de “vazio urbano” para alertar para o quanto a expansão gerava de custo para a administração pública. A explicação surgiu acompanhada de detalhes como a aprovação de 30 loteamentos no período de 10 anos, a partir de 2006, quando foi lançado o Plano Diretor de Desenvolvimento. O boom dos loteamentos ocorreu a partir da metade da década, quando a cidade recebeu um número de famílias muito acima de sua capacidade de locação e de venda de imóveis. A saída, então, foi a expansão do perímetro urbano, em loteamentos, para a construção de casas. Mas, o que seria solução acabou se transformando em problemas. Loteadores não cumpriram absolutamente o que prevê a legislação e empurraram para a prefeitura o custo de instalação da infraestrutura básica. Claro que os casos assim foram parar na Justiça. Pena que, até hoje, 14 anos depois, não haja soluções. Alguns bairros continuam sem o “conforto” de ruas asfaltadas, iluminação condizente, transporte urbano regular e os atendimentos de saúde, educação, creche etc, que são responsabilidade pública.

Empresários do setor imobiliário, ouvidos pela reportagem, apontaram problemas na legislação e necessidade de adequação, por exemplo, na metragem quadrada mínima de lotes, fixada em 240 metros. O ideal, disseram, seria reduzir para 180 metros quadrados, o que provocaria, inclusive, uma queda de preços e um freio na expansão do perímetro.

A média de autorização de novos loteamentos é de dois por ano. Isso significa, segundo a prefeitura, a abertura de pelo menos quatro quilômetros a mais, anualmente, na área permitida para a construção de casas.