
A lei que restringe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país completou um ano de vigência no dia 14 de janeiro. Originada a partir do Projeto de Lei (PL) nº 4.932/2024, a norma proíbe o uso de aparelhos eletrônicos para fins recreativos no ambiente escolar, permitindo a utilização apenas em atividades pedagógicas, situações de acessibilidade ou por motivos de saúde
Desde que entrou em vigor, a legislação passou a provocar mudanças significativas na rotina das escolas. Ao mesmo tempo, o processo de adaptação ainda impõe desafios a alunos, famílias e às próprias instituições de ensino, responsáveis por fiscalizar e garantir o cumprimento da regra.
Em Três Lagoas, dados do Núcleo Regional de Educação apontam que, nas escolas da rede estadual, é registrada uma média de dez notificações por mês relacionadas ao uso indevido de celulares em sala de aula. O número reflete a necessidade de acompanhamento contínuo e de conscientização da comunidade escolar.
De acordo com a coordenadora do Núcleo Regional de Educação, Marizete Bazé, o primeiro ano de aplicação da lei foi marcado por um período intenso de ajustes. “No início foi bastante difícil. Houve resistência por parte dos alunos e até das famílias. Com o tempo, porém, todos passaram a compreender melhor a importância da medida e a respeitá-la”, afirmou.
Na rede privada, os impactos também têm sido positivos. Segundo Cristiane Cândido, diretora de uma escola particular, a restrição contribuiu para fortalecer a convivência entre os estudantes. “Percebemos um resgate de brincadeiras tradicionais, jogos de tabuleiro e rodas de conversa. Além disso, os alunos demonstram maior concentração em sala de aula”, destacou.
Para a diretora de vendas independente Tathianne Lima, mãe de Manuela, de 12 anos, e Theodora, de 7, a lei trouxe equilíbrio ao ambiente escolar. Ela conta que, mesmo antes da norma, já não permitia que as filhas utilizassem celulares durante o período de aula. “O celular dispersa muito. As crianças acabam ficando mais conectadas às telas do que ao conteúdo e às pessoas ao redor”, avaliou.