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Desmatamento no Pantanal cai 65,4% em 2025, mas MS concentra 82% da área suprimida

Monitoramento por satélite registrou 291 km² de vegetação derrubada no bioma

Corumbá foi o munícipio que mais desmatou o Bioma - Foto: Divulgação/Inpe
Corumbá foi o munícipio que mais desmatou o Bioma - Foto: Divulgação/Inpe

O desmatamento no Pantanal teve uma queda considerada histórica em 2025, segundo dados do Prodes Pantanal, sistema oficial de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No período de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025, foram registrados 291,21 km² de supressão de vegetação nativa, o menor volume desde o início da série anual, em 2001.

O número representa uma redução de 65,4% em relação ao ciclo anterior, quando o bioma somou 842,44 km² de vegetação suprimida — dado que havia colocado 2024 como o terceiro pior ano da série histórica.

Apesar da queda geral, o levantamento mostra que Mato Grosso do Sul concentrou 81,62% da supressão registrada no Pantanal, com 237,69 km². Já Mato Grosso ficou com 53,51 km², o equivalente a 18,38%.

Corumbá lidera e responde por mais da metade do total em 2025

Em Mato Grosso do Sul, dois municípios aparecem como principais pontos de supressão no Pantanal: Corumbá, com 166,01 km², e Porto Murtinho, com 38,00 km². Juntos, os dois somaram 70,06% de toda a área mapeada no bioma em 2025, segundo a tabela divulgada pelo Prodes.

Outros municípios sul-mato-grossenses também aparecem no levantamento, como Aquidauana (14,94 km²), Rio Verde de Mato Grosso (12,66 km²), Ladário (4,25 km²) e Miranda (1,47 km²).

O que é considerado “supressão” no Prodes

O Prodes define “supressão” como a remoção da cobertura de vegetação nativa, sem levar em conta o tipo de vegetação ou o que será feito na área depois. O mapeamento de 2025 foi feito com imagens do satélite Sentinel-2, além de apoio de outras fontes de imagem, usadas para validar as interpretações.

No acumulado até 2025, o Prodes estima que o Pantanal já perdeu 31.567,36 km² de vegetação nativa, o equivalente a 20,91% da área total do bioma.

Queda vem após alta registrada em 2024

A redução de 2025 ocorre após um ano de pressão sobre o Pantanal. Em 2024, o bioma foi um dos únicos do país a registrar aumento na supressão de vegetação nativa, tendência que agora aparece revertida com os dados consolidados do novo ciclo.

O relatório associa a diminuição à ampliação do monitoramento e ao uso de alertas para orientar ações de fiscalização em campo.

Exemplo em Corumbá mostra mudança no uso da área

O documento técnico também traz exemplos do tipo de alteração registrada em 2025. Um dos casos descritos ocorreu na sub-região de Paiaguás, em Corumbá, onde imagens mostram a área antes e depois da supressão, com implantação de pastagem exótica após a retirada da vegetação nativa.