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Sorgo dispara na safrinha de MS e ganha força com demanda do etanol

Em cinco safras, o sorgo saltou de 5 mil para quase 400 mil ha em MS, impulsionado por contratos e demanda das usinas de etanol.

Lavoura de sorgo na safrinha em MS com usina de etanol ao fundo.
Sorgo avança na safrinha em MS, impulsionado por demanda e contratos ligados às usinas de etanol de milho. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

O sorgo deixou de ser apenas um plano B para tempos difíceis e, agora, passou a ocupar espaço fixo nas decisões do produtor rural em Mato Grosso do Sul. Em vez de entrar só quando “dá problema”, a cultura vem sendo incluída de forma planejada na safrinha. Assim, o foco está em previsibilidade e redução de riscos.

Em números, o salto chama atenção. Em apenas cinco safras, a área cultivada no Estado saiu de pouco mais de 5 mil hectares para perto de 400 mil hectares. Esse avanço foi superior a 7.700%, segundo levantamentos do SIGA, ferramenta do Governo do Estado gerida pela Semadesc em parceria com a Aprosoja.

Crescimento acelerado em cinco safras

Os dados do SIGA apontam que a virada ficou mais visível a partir da safra 2021/2022. Nesse momento, o sorgo começou a ocupar áreas maiores e ganhou escala rapidamente. Depois de ajustes considerados naturais, a cultura voltou a avançar com força na safra 2024/2025. Como resultado, praticamente dobrou de tamanho.

Para o secretário Jaime Verruck, da Semadesc, esse avanço tem um motivo claro. “Não é casual, é estratégia”, afirmou, ao associar a expansão do sorgo ao mercado. Principalmente, ele atribui isso à demanda criada pelas usinas de etanol de milho instaladas no Estado.

O que mudou com as usinas de etanol de milho

Segundo Verruck, o sorgo já era conhecido do produtor, porém a expansão ficava travada quando faltava uma demanda estruturada. Esse cenário mudou quando as indústrias passaram a firmar contratos de compra, o que trouxe previsibilidade, escala e segurança econômica para quem planta.

Além disso, o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, destacou que o sorgo tem se mostrado uma alternativa viável para a segunda safra por ser mais resistente às intempéries climáticas e a problemas sanitários. Esse cenário é ainda mais visível em áreas mais “marginais”, onde o milho teria mais dificuldade. Com isso, a entrada das usinas de álcool de cereais também mudou a lógica do plantio. Agora, contratos e estrutura de armazenagem passaram a reduzir entraves que antes seguravam a cultura.

Onde o sorgo avançou mais em MS

O crescimento não ficou espalhado ao acaso. Conforme o SIGA, na safra mais recente, cerca de metade de toda a área de sorgo de segunda safra no Estado se concentrou em dez municípios. Ponta Porã e Maracaju lideraram. Enquanto isso, Bonito, Bela Vista e Sidrolândia vieram na sequência como destaques do avanço territorial.

Esse desenho ajuda a explicar a escolha do produtor. O sorgo avançou justamente em regiões onde o milho enfrenta limitações maiores, seja por janela curta depois da soja, seja por risco climático mais elevado. Assim, a cultura vem sendo usada como instrumento de gestão de risco. Com isso, o planejamento da safrinha passa a considerar não só produtividade, mas também perdas financeiras e estabilidade do negócio.

O cenário nacional reforça a tendência

No contexto do país, as projeções apontam que o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026. Nesse ranking, Mato Grosso do Sul aparece na quarta posição entre os maiores produtores, conforme levantamento da Conab divulgado em dezembro de 2025. Além disso, o texto aponta convergência com números da Conab e do IBGE sobre o fortalecimento da cultura. Entretanto, o SIGA é citado como o instrumento que detalha com mais precisão a velocidade e a distribuição do avanço dentro do Estado.

Por que essa mudança importa para o produtor e para o Estado

No entendimento do governo, quando há mercado, contratos e visão de longo prazo, o risco diminui e o desenvolvimento se consolida. Nesse cenário, as usinas de etanol de milho foram colocadas como peça estratégica por integrarem produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade. Dessa forma, fortalecem cadeias locais e ampliam o uso eficiente do solo.