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ENTREVISTA

Vilela volta à Saúde com foco em remédios e gestão

Novo secretário promete reorganizar a rede, regularizar estoques e reduzir problemas no atendimento em Campo Grande

Marcelo Vilela e a prefeita Adriane Lopes durante anúncio da nomeação (Foto: Reprodução/ PMCG)
Marcelo Vilela e a prefeita Adriane Lopes durante anúncio da nomeação (Foto: Reprodução/ PMCG)

O médico Marcelo Vilela assumiu novamente o comando da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande em meio a desafios históricos da rede pública, como falta de medicamentos, problemas na logística e pressão sobre unidades de urgência e hospitais. Ele retorna ao cargo quase seis anos depois de sua primeira passagem pela pasta, entre 2017 e 2019.

Em entrevista, Vilela afirmou que a prioridade inicial será levantar a real situação da secretaria, com foco no abastecimento de medicamentos e na organização interna. Segundo ele, o diagnóstico preliminar aponta problemas na logística e na execução dos processos administrativos, que impactam diretamente o atendimento à população.

“A saúde é a pasta mais complexa da administração pública e a que mais compra. Qualquer falha no processo afeta quem está na ponta”, disse o secretário, ao destacar as dificuldades impostas pelos trâmites de licitação e pelo descumprimento de contratos por fornecedores.

O novo secretário terá o apoio do Comitê de Saúde até março de 2026. O grupo foi formado em setembro, após a saída da então secretária, Rosana Leite. Ele afirmou que pretende trabalhar de forma integrada com o grupo, servidores da rede, conselhos de saúde e sindicatos. “A Secretaria de Saúde se constrói a muitas mãos. Não existe gestão eficiente sem ouvir quem está dentro do sistema”, afirmou.

Vilela também descartou mudanças bruscas na equipe técnica neste início de gestão. Segundo ele, a secretaria conta com servidores experientes, que atravessaram diferentes administrações. “Trocas precipitadas desmontam a estrutura. O caminho é organização, diálogo e gestão técnica”, disse.

Sobre filas, demora em consultas e falta de profissionais, o secretário afirmou que parte dos problemas pode ser reduzida com melhor organização das unidades básicas. Ele destacou o uso do prontuário eletrônico e defendeu ajustes no planejamento para evitar sobrecarga desnecessária nas unidades de urgência.

Na avaliação do novo secretário, cerca de 70% dos atendimentos realizados em UPAs poderiam ser resolvidos na atenção primária. Para isso, ele defende fortalecimento das equipes, integração com a regulação e maior articulação com sindicatos e o Conselho Municipal de Saúde.

Vilela também comentou a crise financeira e administrativa da Santa Casa de Campo Grande. Segundo ele, o enfrentamento do problema passa pelo fortalecimento da regulação, melhor distribuição dos casos entre os níveis de atenção e apoio dos governos estadual e federal.

Com experiência acadêmica e atuação hospitalar, o secretário afirmou que pretende usar o conhecimento técnico para tornar a gestão mais eficiente. “O foco final precisa ser sempre o paciente. Organização e transparência são essenciais para que a população não sofra”, concluiu.

Acompanhe a entrevista completa: