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Campo Grande, 22 de fevereiro

MPE deve ser acionado sobre obra no Lago do Amor

A estrutura da revitalização na Avenida Filinto Muller cedeu um mês após a obra ser concluída e entregue pela Prefeitura Municipal de Campo Grande

Por Gerson Wassouf
31/10/2023 • 13h30
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Um mês após ser concluída e entregue pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, a obra de revitalização da Avenida Filinto Muller, no Lago do Amor, apresentou rachaduras na calçada e cedeu. A Secretaria Municipal De Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) ainda não informou o motivo do problema mas, por risco de acidente, o local foi interditado novamente pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran). O desgaste precoce da obra foi assunto na sessão desta terça-feira (31) na Câmara Municipal de Campo Grande, onde os vereadores afirmaram que vão cobrar uma explicação da prefeitura.

De acordo com o vereador André Luis (Rede), após as fortes chuvas e o desmoronamento ocorridos em janeiro deste ano, foram investidos cerca de R$ 3,8 milhões na revitalização da avenida. Agora, o parlamentar pretende descobrir a razão dos problemas aparecerem em tão pouco tempo.

Local voltou a ser interditado nesta semana

"Nós fomos até lá ontem à tarde e fizemos uma vistoria e agora vamos comunicar o Ministério Público Estadual para que investigue e cobre dos gestores, vamos oficiar à Sisep a nossa preocupação. Precisamos saber o que aconteceu, quais providências foram tomadas e quem é o gestor do contrato, que deve responder pela execução do projeto. E olha que não houve nenhum evento climático que justificasse. A obra ruiu por si só", explica o vereador, que também é presidente da Comissão Permanente de Mobilidade Urbana.

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Ainda na Casa de Leis, o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlão (PSB) informou que "é preciso saber o que aconteceu nessa obra e, para isso, eu já pedi que novas vistorias sejam feitas no local junto com um engenheiro".

Em entrevista coletiva nesta manhã, o secretário municipal de governo e relações instituicionais, João Rocha informou as providências a serem tomadas após o desgaste da obra.

"Recuperação imediata, precisa diagnosticar qual foi a questão técnica que, derrepente, deixou a desejar. Isso está sendo feito e ontem à tarde foi motivo de uma reunião com a Sisep para que nós pudéssemos trabalhar na resolutividade dessa questão", afirma o secretário.

A Sisep suspeita de um vazamento na caixa do vertedouro. Valas serão abertas no local para identificar o que provocou o problema e quais medidas serão feitas para resolver o problema.

No local

O comerciante Everaldo de Oliveira trabalha na região do Lago do Amor há três anos, ele estava feliz com a nova calçada e diz que ficou surpreso com o aparecimento das rachaduras.

"O calçamento ficou bonito, só que a obra teve falhas né, olha aí a calçada já baixou e desmoronou pra baixo de novo. Ela não aguentou a pressão da água no dia que abriu pra fazer o teste. E a obra é bem no meu ponto de venda, agora eu vou esperar pra ver o que vai dar de novo, porque no começo do ano eu tive que sair daqui, agora eu vou esperar porque o ponto aqui é bom", conta Everaldo. 

As rachaduras na calçada também surpreenderam outro profissional que trabalha na região, o autônomo Wellington da Silva.

"Não tem nem um mês que terminou a obra, não faz sentido. Eu achei que era melhor a obra que tava antes, que demou pra desbarrancar, essa desbarrancou na hora", diz Wellington.

A obra

A obra de reconstrução do trecho da Avenida Filinto Muller, levado pela enxurrada durante o temporal do dia 4 de janeiro deste ano, só começou em abril. A empresa CCO Infraestrutura Ltda foi contratada em regime de urgência, sem licitação. 

Para evitar o transbordamento do Lago do Amor e novos desmoronamentos em períodos de chuvas fortes, foi feita barragem com mais de 7 mil metros cúbicos de aterro. A estrutura de contenção que caiu com a enxurrada era feita de trilhos e paredes de concreto, com altura de cinco metros. Além de colocar aterro nos 170 metros na margem da avenida no sentido centro/bairro, foi plantada grama para evitar que a chuva arraste a terra que protege a barreira de contenção.

 

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