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Campo Grande, 28 de fevereiro

São Julião será primeiro hospital certificado Lixo Zero do país

Instituição conquistou o índice de 82% de desvio de resíduos sólidos

Por Gerson Wassouf
01/12/2023 • 13h30
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Por meio do investimento na coleta seletiva, reciclagem, compostagem e reflorestamento, o São Julião recebeu o certificado de primeiro hospital rumo ao lixo zero do Brasil, após atingir o índice de 82% de desvio de resíduos sólidos. O conceito representa o trabalho feito mundialmente na luta contra o desperdício e tem como meta atingir o máximo desvio de resíduos sólidos dos aterros sanitários. A cerimônia de certificação foi realizada na manhã desta sexta-feira (1) no Centro de Convenções Dr. Gunter Hans, na sede do hospital e contou com a presença do presidente do Instituto Lixo Zero do Brasil, Rodrigo Sabatini, além de outras autoridades.

O presidente do Hospital São Julião, Carlos Melke, afirmou que o trabalho começou a ser feito no início do século, com a capacitação dos funcionários, incentivando o trabalho coletivo em prol do objetivo comum.

"É um trabalho que iniciou há 20 anos atrás. É uma construção que você vem com educação, com determinação, com apoio e você vem perseguindo isso e se estruturando. No ano passado nós chegamos ao índice de 50% de tudo aquilo que se produziu de resíduo aqui no São Julião, nós tiramos 50% do aterro sanitário. Aí, nós todos vimos a possibilidade da gente perseguir essa certificação e atingir um índice expressivo e, com muito esforço, chegamos a 82% [...] o trabalho é feito em conjunto por todo mundo, cada um tem sua obrigação de fazer a separação, já uma pré-separação, colocar no local certo, separado, depois vai para um residuário e nesse residuário tem os freis que moram aqui dentro do São Julião e que auxiliam nessa separação de material durante o dia, e aí vai para a prensa, aquilo que é para a fundição, vai para a fundição, é um trabalho de todo mundo", afirma o presidente.

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De acordo com o presidente do Instituto Lixo Zero do Brasil, Rodrigo Sabatini, o índice alcançado pelo São Julião é expressivo também em nível internacional e será citado por ele na reunião da COP 28 da ONU, no dia 12 de dezembro em Dubai.

"Vocês não têm noção, mas vocês têm um hospital que chegou no topo do mundo, os índices daqui são de níveis internacionais, estão ali no topo, no topo do mundo. Então isso aqui foi possível porque o São Julião é baseado numa cultura do cuidar, em vez de ser numa cultura do desperdício, da indiferença, do descaso e do descarte. Descartar quer dizer livrar-se de algo, então toda essa cultura do descarte é perigosa e aqui tem uma cultura do cuidar, cuidar das pessoas, cuidar do ambiente, cuidar da cidade que hospeda e apoia, e essa cultura do cuidar faz com que ele cuide da saúde, da higiene da cidade e isso foi implementado aqui [...] Eu já viajei pelo mundo em reuniões sobre sustentabilidade e o máximo que eu já vi um hospital chegar, é de cerca de 55%, então os 82% do São Julião merecem ser reconhecidos e será citado em minha fala nessa reunião global para o meio ambiente", contou, emocionado, o presidente do Instituto.

Também na sede do hospital e com o mesmo objetivo sustentável, a Escola Estadual Padre Franco Delpiano também está em busca do certificado lixo zero. Atualmente a unidade escolar conta com índice de 78% e, se atingir os 90%, será a terceira escola do país a ser certificada oficialmente. Como conta a coordenadora pedagógica, Tatiana Moura, que está há oito anos na instituição e também fala sobre a cultura do cuidado, que fez tudo isso ser possível.

"Desde que eu entrei na Escola Padre Franco, a gente tem como ideal a questão ambiental. Por estar em um ambiente diferenciado, permeado pela natureza, a gente sempre pensou nesse reciclar, reutilizar. Então hoje nós estamos também rumo ao Lixo Zero, já inserimos a proposta na escola, não temos mais lixeira na sala de aula, nem no pátio, nós temos residuário. Então, os nossos alunos já estão multiplicando essa ideia, inclusive, para a comunidade local, com seus familiares. A ideia é realmente, que ano que vem seja a nossa vez de receber essa certificação [...] A cultura do cuidado existe muito aqui, principalmente com o meio ambiente, porque nós falamos sempre para os nossos alunos, que quem veio primeiro nesse espaço do qual nós estamos é o meio ambiente, então nós viemos depois e devemos cuidar", explica a coordenadora.

Atualmente, a escola conta com cerca de 8 a 10 projetos sustentáveis produzidos pelos alunos em andamento, como compostagem, banco de semente, o projeto ReuArte com a questão da reutilização de resíduos na produção de obras de arte e não só na produção, mas na questão do comércio, e tem, inclusive, vassouras com material reutilizável, de material de resíduo, como garrafa pet, para utilização no dia a dia. 

São quase 420 alunos comprometidos com projetos ambientais na instituição e, entre eles, está o aluno do 2º ano do ensino médio, Henrique Penze, de 16 anos. Ele faz parte do projeto de troca das lixeiras e fala mais sobre o aprendizado.

"Esses residuários são diferentes das lixeiras porque eles não misturam todo o lixo e deixam mais fácil a separação coletiva deles. Na prática, a gente coloca os residuários dentro das salas de aulas, fora, nas quadras, em todos os cantos da escola, e nós, alunos mesmos, descartamos corretamente com o aprendizado de três anos que a gente vem lidando com isso, com esse processo, pra separar corretamente esses resíduos e não deixar misturar de novo [...] É uma honra estudar aqui dentro do hospital com esse objetivo sustentável e fazer parte desse coletivo, é um orgulho pra nós do Centro-Oeste e de Campo Grande", concluiu o estudante.

Hospital São Julião

O Hospital São Julião nasceu há 83 anos como uma das 33 colônias espalhadas pelo Brasil para confinar hansenianos. Com a descoberta da cura, foi uma das poucas que conseguiu se reinventar. Hoje é um hospital filantrópico, aberto a diversas especialidades, a serviço do SUS, com 387.000 atendimentos realizados em 2022. No Estado de MS é Referência em Oftalmologia e no tratamento da Hanseníase.

 

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