
A Apae de Três Lagoas completa 50 anos de atuação em 2025, consolidando-se como uma das instituições mais importantes no atendimento a pessoas com deficiência intelectual e física na cidade e em municípios da região. Ao longo de meio século, a entidade ampliou serviços, enfrentou desafios estruturais e hoje atende mais de 300 alunos, desde bebês de três meses até idosos com mais de 70 anos.
O presidente reeleito da instituição, Nelson Torres, destacou que a trajetória da Apae é marcada por luta constante e adaptação às crescentes demandas da comunidade.
“São 50 anos realmente de procura por melhorias, porque a nossa comunidade tem muitas necessidades. Atendemos pessoas em diferentes fases da vida, cada uma com sua especificidade”, afirmou.
Atualmente, a Apae mantém dois centros educacionais e uma clínica de reabilitação, que atua nas áreas física e intelectual. Segundo Nelson, o atendimento vai além da educação básica.
“Tem aluno que chega e não sabe comer sozinho, não sabe trocar de roupa. Nosso trabalho é ensinar desde essas habilidades básicas até a leitura e a escrita, sempre respeitando os limites de cada pessoa”, explicou.
A clínica de reabilitação atende pacientes de nove municípios, enquanto as escolas concentram o atendimento principalmente em Três Lagoas. Entre os projetos desenvolvidos, o presidente destacou a fanfarra musical e as ações na área esportiva, que já revelaram atletas com participação em competições regionais e nacionais.
“Estamos descobrindo novos talentos e mostrando que inclusão também passa pelo esporte”, disse.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem grandes. A estrutura física da instituição, construída em 1975, já não comporta a demanda atual.
“Hoje o prédio não suporta mais a quantidade de alunos. Também temos apenas dois ônibus, que estão próximos do limite de uso, e isso dificulta o transporte dos alunos, muitos deles de famílias em situação de vulnerabilidade”, relatou Nelson.
Outro ponto crítico é o custeio da alimentação. De acordo com o presidente, o valor repassado para a merenda escolar é insuficiente.
“O que recebemos para um ano inteiro não cobre nem um mês de despesas com alimentação. Os outros 11 meses a gente precisa correr atrás de recursos”, afirmou.
Atualmente, a Apae enfrenta um déficit mensal de cerca de R$ 70 mil.
Reeleito para mais três anos à frente da instituição, Nelson Torres afirma que o principal objetivo da nova gestão é ampliar a confiança do poder público e garantir recursos para expandir o atendimento.
“Hoje temos toda a documentação em ordem, prestações de contas corretas e uma equipe preparada. O que precisamos é de mais apoio para crescer com qualidade e atender quem precisa”, concluiu.
Mesmo diante das dificuldades, a Apae segue como referência em educação especial, saúde e assistência social, reafirmando seu compromisso com a inclusão e a qualidade de vida de centenas de famílias em Três Lagoas.