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MUTAÇÃO VIRAL

Gripe K: Variante preocupa pela facilidade de transmissão

Nova variação da H3N2 se espalha rápido e tem sintomas mais prolongados

Nova variação da H3N2 se espalha rápido e tem sintomas mais prolongados (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Nova variação da H3N2 se espalha rápido e tem sintomas mais prolongados (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

D0esde os últimos meses de 2025, uma nova mutação do vírus Influenza A (H3N2) passou a circular em diferentes regiões do Brasil. Embora, até o momento, os números não indiquem um cenário de alta gravidade ou aumento expressivo de internações, uma característica específica dessa variante tem chamado a atenção das autoridades em saúde: a elevada velocidade de transmissão.

Em Três Lagoas, o setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde acompanha, de forma contínua, o comportamento do vírus e reforça que o principal fator de alerta não está na letalidade, mas na capacidade de disseminação da nova cepa. Quanto maior o número de pessoas infectadas em um curto espaço de tempo, maior tende a ser a pressão sobre os serviços de saúde, especialmente na atenção básica e nas unidades de pronto atendimento.

A enfermeira Cleina Passalacqua, que atua na Vigilância Epidemiológica do município, explica que o surgimento de novas mutações faz parte do ciclo natural dos vírus respiratórios. Segundo ela, essas alterações genéticas são estratégias utilizadas pelos vírus para escapar da resposta imunológica da população.

“Mutações acontecem o tempo todo. É uma forma que o vírus encontra para driblar o sistema imunológico das pessoas. O que nos preocupa é que esse ‘disfarce’, por assim dizer, da chamada Gripe K, apresenta uma taxa de transmissibilidade maior do que o H3N2, do qual ela se originou”, destaca.

De acordo com Cleina, esse aumento na capacidade de transmissão tem impacto direto no sistema de saúde.

“Quanto mais pessoas infectadas com este vírus, mais sobrecarregado fica o atendimento na cidade, mesmo que os quadros clínicos, na maioria dos casos, não sejam graves”, completa.

Outro ponto que vem sendo observado pelas equipes de vigilância, com base em dados internacionais, é o tempo de permanência dos sintomas nos pacientes infectados. Em alguns países, pessoas acometidas pela nova variante permaneceram mais dias com sinais clínicos da doença, o que amplia o risco de complicações, especialmente em grupos mais vulneráveis.

“Os sintomas não são, necessariamente, mais intensos do que aqueles da gripe comum que já conhecemos. O problema é que eles tendem a durar mais tempo, e isso acaba gerando outras preocupações do ponto de vista da saúde pública”, explica a enfermeira.

Nesse contexto, Cleina reforça a necessidade de atenção redobrada para pessoas com comorbidades, idosos, gestantes e indivíduos imunossuprimidos.

“Quanto maior o tempo de exposição aos sintomas, maior também o risco de agravamento, principalmente nesses grupos”, alerta.

Diante desse cenário, a Vigilância Epidemiológica mantém as mesmas recomendações preventivas já conhecidas pela população.

“As orientações continuam sendo as chamadas etiquetas respiratórias: uso de máscara em caso de sintomas, higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel e evitar contato próximo com outras pessoas quando estiver gripado”, orienta.

“São cuidados simples do dia a dia, mas extremamente eficientes para reduzir a taxa de transmissibilidade. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, é fundamental manter esses cuidados e procurar atendimento de saúde quando necessário”, conclui Cleina Passalacqua.