
Durante décadas, Três Lagoas construiu uma imagem sólida como polo industrial e logístico. Esse perfil garantiu crescimento econômico, geração de empregos e protagonismo regional. No entanto, por muito tempo, um ativo evidente permaneceu subaproveitado, o turismo. Cercada por rios, áreas naturais, paisagens de grande valor ambiental e uma rede urbana estruturada, a cidade sempre teve potencial, mas carecia de organização, planejamento e direção estratégica.
A criação da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura na gestão do prefeito Cassiano Maia representa o início de uma nova fase nesse cenário. Mais do que institucionalizar o setor, a nova pasta sinaliza uma mudança de mentalidade, ou seja, o turismo passa a ser tratado como política pública, e não como ação pontual ou evento isolado. Planejar, ordenar, qualificar e estruturar deixam de ser discursos e passam a integrar uma agenda técnica, alinhada às exigências dos órgãos estaduais e federais e às demandas do mercado.
O trabalho em andamento demonstra compreensão clara de que potencial, por si só, não gera fluxo turístico. Rios, trilhas, áreas rurais, pesca esportiva, observação de aves e experiências culturais precisam ser transformados em produtos organizados, com regras, segurança, profissionais capacitados e capacidade de comercialização. Sem isso, o turismo permanece restrito ao improviso e à informalidade, sem impacto real na economia local.
Outro aspecto central desse planejamento é a articulação com a iniciativa privada. O poder público não é operador de turismo, mas tem papel decisivo na coordenação, na capacitação e na criação de um ambiente favorável para que empresários invistam, inovem e ofereçam experiências de qualidade. Ao fortalecer o Conselho Municipal de Turismo, estruturar o Plano Municipal e buscar parcerias com instituições de formação e fomento, a secretaria cria bases sólidas para um crescimento sustentável do setor.
Três Lagoas reúne condições raras no interior do país. O município tem forte turismo de negócios, rede hoteleira consolidada, localização estratégica e recursos naturais abundantes. Integrar esses elementos ao turismo de lazer, natureza e experiência é ampliar o tempo de permanência do visitante, diversificar a economia e distribuir renda em múltiplos segmentos, do comércio à gastronomia, dos serviços ao setor rural.
Planejar o turismo não é apenas promover a cidade para fora, mas também qualificá-la para dentro. É organizar espaços, valorizar comunidades, preservar recursos naturais e criar oportunidades. Quando bem conduzido, o turismo não concorre com o desenvolvimento industrial; complementa, fortalece e humaniza o crescimento urbano.
O momento é decisivo. Transformar potencial em resultado exige continuidade, técnica e visão de longo prazo. Três Lagoas tem rios, estrutura e localização. Agora, começa a ter planejamento. E é exatamente aí que mora a diferença entre promessa e desenvolvimento real.