
Um advogado de 55 anos foi denunciado por obstrução de Justiça e está preso preventivamente em Campo Grande desde o dia 9 de janeiro, após entregar um celular que não era dele durante o cumprimento de uma ordem judicial ligada à Operação Snow.
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de tráfico interestadual de drogas, com indícios de participação e conivência de policiais.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o advogado teria agido de forma intencional para impedir que a Justiça tivesse acesso a provas consideradas importantes no caso.
Ordem judicial previa entrega do aparelho de uso pessoal
De acordo com a denúncia, o advogado foi alvo de um mandado de busca e apreensão que determinava a entrega do celular usado no dia a dia. Durante o cumprimento da medida, ele teria questionado a legalidade da ordem e demonstrado resistência inicial.
Os argumentos foram rejeitados pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande, que também teria advertido sobre consequências penais em caso de descumprimento.
Perícia aponta aparelho “limpo” e sem histórico
Ainda conforme o MPMS, o advogado compareceu à sede do Gaeco em 19 de fevereiro de 2025 para entregar um aparelho. A análise técnica, no entanto, apontou que o celular pertencia a um terceiro e não apresentava características de uso cotidiano.
O dispositivo estava sem cartão SIM, sem cartão de memória e não tinha registros comuns, como fotos, vídeos, mensagens ou histórico de navegação.
Para os promotores, a entrega do aparelho seria uma tentativa de ocultar informações e atrapalhar o acesso a conversas que poderiam ligar o investigado a integrantes do grupo criminoso e a possíveis esquemas de corrupção.
Suspeita de atuação além da advocacia
Relatórios citados na denúncia apontam que o advogado teria exercido um papel considerado estratégico dentro da organização investigada, indo além do trabalho jurídico convencional.
Entre os indícios apurados, o MPMS sustenta que ele atuava na “blindagem” de integrantes do grupo e teria intermediado pagamento de propina a policiais para liberação de caminhões carregados com drogas.
A denúncia cita que a conduta pode se enquadrar no artigo que trata de crimes relacionados a organizações criminosas. A pena prevista varia de três a oito anos de reclusão. O caso segue sob investigação no âmbito da Operação Snow.
*Com informações do MPMS