
Levantamento do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) aponta que Corumbá registrou 136,8 milímetros de chuva em 24 horas, o maior volume do Estado no período, muito acima da média histórica para janeiro.
Após uma tempestade considerada excepcional, a Prefeitura de Corumbá decidiu elaborar um decreto de situação de emergência para acelerar ações de resposta aos danos causados pela forte chuva registrada na tarde e noite de terça-feira (27). Em cerca de 50 minutos, o volume de precipitação ultrapassou 106 milímetros, segundo a Defesa Civil, provocando enxurradas, alagamentos generalizados e prejuízos em diferentes regiões da cidade.
A decisão foi tomada durante reunião do prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira com o secretariado municipal, realizada na manhã desta quarta-feira (28). O decreto permitirá a realização de compras emergenciais, a contratação de serviços e o acionamento dos governos estadual e federal em busca de apoio técnico e financeiro.
“O decreto de situação de emergência é fundamental para dar celeridade às aquisições e garantir respostas mais rápidas à população afetada”, afirmou o procurador-geral do Município, Roberto Ajala Lins.
A chuva intensa alagou ruas e residências, arrastou veículos e atingiu principalmente bairros da parte alta da cidade. Na rua Cyríaco de Toledo, entre as ruas Pará e Piauí, o tráfego precisou ser interrompido. No bairro Guarani, duas mulheres e um menino de cerca de 7 anos foram resgatados de um carro ilhado por uma guarnição da Polícia Militar.
De acordo com o meteorologista Natálio Abraão, além do alto volume de chuva — superior a 130 milímetros desde as 18h20 — foram registrados 2.955 raios e rajadas de vento de até 60 km/h. A temperatura máxima, que havia alcançado 37,5 °C, caiu para 22,3 °C após o temporal.
O Corpo de Bombeiros Militar atendeu pelo menos 20 ocorrências de alagamento em residências até o início da noite, com chamados concentrados nos bairros Nova Corumbá, Popular Nova, Guanã, Guaicurus, Loteamento Pantanal, Maria Leite e na região Central.
Segundo o superintendente da Defesa Civil, capitão bombeiro Silvanei Coelho, o volume de chuva não era observado havia mais de 14 anos. “Foi uma precipitação muito acima do normal em um curto intervalo de tempo, o que causou enxurradas em praticamente toda a cidade”, disse.
Apesar dos prejuízos materiais, não houve registro de mortes. Algumas famílias ficaram desalojadas, mas a maioria optou por permanecer em casas de parentes ou vizinhos. A Prefeitura distribuiu colchões, cobertores, roupas e itens emergenciais.
Como parte das medidas de segurança, a Prefeitura interditou um trecho da rodovia Ramon Gomez, entre a Escola CAIC e o Parque Marina Gattass, após o desabamento de parte do acostamento. A interdição é preventiva e não há prazo para liberação.
Impacto e Ações da Prefeitura
Segundo a Agesul, o grande volume de água sobrecarregou o sistema de drenagem que atende bairros como Aeroporto e Jardim Aeroporto, aumentando o risco para motoristas e pedestres. O acesso à Bolívia passou a ser feito exclusivamente pela rua Gonçalves Dias, no sentido AGESA/BR-262.
Equipes da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Infraestrutura, da Agetrat e da Assistência Social seguem mobilizadas para limpeza da cidade, levantamento de danos e atendimento às famílias atingidas. Uma comissão especial foi criada para centralizar decisões e organizar as ações de resposta e reconstrução.
A Prefeitura também anunciou a abertura de pontos oficiais para arrecadação de donativos, como alimentos, roupas e produtos de higiene. “O foco agora é cuidar da população, restabelecer os serviços e minimizar os impactos desse evento extremo”, afirmou o prefeito.