
A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect) deu novos passos na agenda de fomento à pesquisa ao publicar atualizações que mexem, ao mesmo tempo, com a internacionalização de projetos e com a rotina de estudantes de iniciação científica e tecnológica.
As medidas foram divulgadas em edição recente do Diário Oficial e foram assinadas pelo diretor-presidente da instituição, Cristiano Espínola Carvalho, com a promessa de dar mais clareza aos processos e mais segurança à execução dos recursos públicos voltados à inovação no estado.
| Chamada / Edital | Finalidade | Ação Publicada |
|---|---|---|
| Chamada Nº 33/2025 (Fundect/CONFAP – ERC IA) |
Fomento à pesquisa em cooperação internacional (European Research Council). | Divulgação da Lista Final de Propostas Enquadradas |
| Chamada Nº 24/2025 (PICTEC MS – Edição 5) |
Programa de Iniciação Científica e Tecnológica do Estado de MS. | Retificação de critérios de elegibilidade e cadastro de bolsistas |
Na frente internacional, a atenção ficou concentrada na Chamada Fundect/CONFAP Nº 33/2025, identificada como ERC IA 2025. A lista final de propostas enquadradas foi publicada, encerrando uma etapa que vinha sendo aguardada por pesquisadores interessados em ampliar conexões e oportunidades fora do país. A chamada conjunta foi estruturada em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e foi apresentada como um caminho para aproximar a produção científica de Mato Grosso do Sul de possibilidades vinculadas ao European Research Council (ERC), ampliando o alcance da ciência feita no estado.
Embora a publicação não detalhe, neste trecho, os conteúdos de cada proposta, o gesto institucional tem peso simbólico e prático. Primeiro, porque a internacionalização costuma ser tratada como um diferencial competitivo para grupos de pesquisa, já que abre portas para redes, intercâmbios e colaboração. Depois, porque a formalização de uma lista final cria previsibilidade: quem está enquadrado passa a saber em que posição se encontra dentro do fluxo da chamada e quais passos precisam ser acompanhados a partir daí.
Fomento à Iniciação Científica e Tecnológica
Ao mesmo tempo, a Fundect também mexeu em um tema que afeta diretamente a base do sistema científico: a iniciação científica e tecnológica. Uma retificação foi publicada na Chamada Nº 24/2025, do PICTEC MS (Edição 5), programa que sustenta bolsas para estudantes que dão os primeiros passos em pesquisa aplicada e produção de conhecimento.
Nesse ponto, o recado foi objetivo e, ainda assim, sensível para quem depende do benefício. O processamento e o pagamento das bolsas passam a ficar condicionados, de forma explícita, às informações que cada estudante insere na Ficha de Cadastro do Bolsista. Ou seja, o cadastro deixa de ser apenas uma formalidade e passa a ser tratado como etapa central para que a bolsa seja implementada e para que a regularidade do repasse seja mantida.
Foi reforçado que os pagamentos ficam dependentes exclusivamente dos dados informados na ficha, o que coloca sobre o bolsista uma responsabilidade direta: preencher tudo corretamente e completar as informações exigidas. A lógica, segundo o texto da retificação, é simples. Se o cadastro estiver incompleto ou errado, atrasos podem ocorrer e a execução financeira pode ficar comprometida, atingindo o estudante e também o planejamento dos projetos.
Cooperação Internacional e o PICTEC
Assim, enquanto a cooperação internacional aponta para uma ciência com mais alcance, a retificação do PICTEC chama a atenção para o funcionamento do dia a dia que sustenta a pesquisa. Em outras palavras, a mesma estratégia que mira o exterior também exige organização interna, já que o fomento só funciona quando regras, prazos e dados são tratados com precisão.
No conjunto, as publicações indicam uma Fundect tentando reduzir ruídos em duas pontas: de um lado, destravar e dar transparência a uma chamada conectada a oportunidades internacionais; de outro, evitar falhas operacionais em bolsas que, muitas vezes, são o primeiro vínculo formal do estudante com a ciência. Por fim, o movimento sinaliza que, em 2026, a disputa por recursos e resultados deverá caminhar junto com exigências mais claras de gestão, tanto para pesquisadores quanto para bolsistas.