
As novas regras da Copa do Brasil colocam Campo Grande novamente diante de um impasse estrutural. Apesar de ser o principal palco do futebol da Capital, o Estádio Jacques da Luz não atende às exigências mínimas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para sediar jogos da competição nacional e, neste momento, está impedido de receber partidas do torneio.
O regulamento divulgado pela CBF estabelece que, até a quarta fase, os estádios devem ter capacidade mínima de 4 mil torcedores, além de proibir a utilização de arquibancadas temporárias ou provisórias. Atualmente, o Jacques da Luz possui laudo para 3.216 espectadores, número abaixo do exigido, o que inviabiliza sua utilização na Copa do Brasil.
A limitação atinge diretamente os representantes de Mato Grosso do Sul na competição: Pantanal SAF e Ivinhema. Pelos laudos atualizados pela Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), nenhum estádio do estado alcança a capacidade mínima exigida pela CBF.
Para o presidente da FFMS, Estevão Petrallas, a situação é preocupante e representa uma perda para o futebol local. Segundo ele, a federação tenta evitar que os clubes precisem mandar seus jogos fora da Capital ou até fora do estado.
“A federação tem a obrigação de ajudar os clubes. Vou lutar até o último instante para que esses jogos não saiam de Campo Grande. É uma perda para o futebol e para o torcedor”, afirmou.
Petrallas explica que já iniciou diálogo com a CBF em busca de alternativas, mas reconhece que, pelas regras atuais, o Jacques da Luz não está liberado para receber partidas da Copa do Brasil.
“Enquanto o Morenão não abre, ficamos sempre nessa discussão. Hoje, o Jacques da Luz é o que temos, mas ele ainda não atende ao que o regulamento exige”, pontuou.
Impacto nos Clubes e Alternativas
No Operário-MS, a preocupação é semelhante. O presidente do clube, Coronel Nelson, lembra que em 2025 o problema foi resolvido com a instalação de arquibancadas provisórias, alternativa agora vetada pela CBF.
“Ninguém quer sair para jogar fora. No ano passado, utilizamos arquibancadas móveis com todos os laudos exigidos e não tivemos nenhum incidente. Acredito que a CBF vai repensar essa determinação, porque esse não é um problema só de Campo Grande”, afirmou.
Segundo o dirigente, caso a regra seja mantida, o clube terá de buscar outras praças esportivas, o que gera impacto esportivo, financeiro e também para o torcedor.
“Sair de Campo Grande é sempre a pior opção”, completou.
Já o Pantanal SAF adota uma postura mais cautelosa diante do cenário. O presidente Gilmar Ribeiro, o Mazinho, confirmou que o clube já trabalha com a possibilidade de atuar fora do estado, caso seja sorteado com o mando de campo na primeira fase da competição.
“Hoje, o estado não tem estádio apto para receber a Copa do Brasil. Se não houver uma força-tarefa para ajustes, vamos precisar buscar alternativas”, afirmou.
Outras Opções
Além do Jacques da Luz, outras opções no interior também não atendem ao regulamento. O Ninho da Águia teve a capacidade reduzida para 2.400 lugares após nova vistoria do Corpo de Bombeiros. O Douradão, em Dourados, comporta 3.500 torcedores e ainda não possui sistema de iluminação ativo, o que limita jogos noturnos. O Saraivão, em Ivinhema, tem laudo para 2.800 pessoas.
Com o Morenão fechado e sem previsão de reabertura, a impossibilidade de sediar jogos da Copa do Brasil evidencia um problema estrutural antigo do futebol sul-mato-grossense. Enquanto federação e clubes aguardam possíveis flexibilizações ou avanços em projetos de ampliação, a tendência é que Mato Grosso do Sul volte a perder mandos de campo em competições nacionais.