
Às vésperas de um ano marcado por eleições, disputas internas e reorganização partidária, o governador Eduardo Riedel (PP) reforçou, nesta terça-feira (3), que a principal aposta do governo para 2026 é manter uma espécie de “blindagem institucional” contra os efeitos do calendário político.
Durante coletiva após a abertura do ano legislativo, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Riedel afirmou que a prioridade é impedir que o ambiente eleitoral contamine decisões estratégicas e comprometa projetos estruturantes em andamento.
Segundo ele, a relação entre os Poderes, aqui em Mato Grosso do Sul, tem sido determinante para sustentar esse modelo.
Ao fazer um balanço dos três primeiros anos de mandato, o governador destacou que o Estado construiu uma dinâmica baseada em diálogo permanente e convergência institucional, condição que, na avaliação dele, permite atravessar períodos de maior tensão política sem paralisia administrativa.
“É um ano naturalmente desafiador, mas que não pode nos afastar daquilo que precisa ser entregue”, afirmou, ao mencionar projetos ligados à infraestrutura, logística e desenvolvimento econômico.
Ano eleitoral, mas com foco em entregas
Riedel reconheceu que 2026 impõe dificuldades adicionais à gestão, especialmente pela proximidade das convenções partidárias e pelo processo de desincompatibilização de cargos.
Ainda assim, sustentou que o governo pretende preservar a rotina administrativa e o ritmo de investimentos.
Na avaliação do governador, o desafio é equilibrar o debate político com a continuidade das políticas públicas, sobretudo em áreas como saúde, educação, segurança e logística.
Ele ressaltou que novas propostas devem surgir ao longo do ano, conforme a dinâmica das secretarias.
“Não há um pacote fechado. Os projetos vão sendo construídos conforme a demanda real”, explicou.
Fiscal, juros e limites do crescimento
Outro eixo central da fala de Riedel foi a política fiscal. O governador reafirmou que o controle de gastos continuará sendo tratado como “inegociável”, mesmo em um cenário de pressão por investimentos.
Ele lembrou que medidas de contenção adotadas em 2025 permitiram ao Estado preservar a capacidade de investimento e manter a classificação fiscal positiva, apesar da queda de receitas ligadas ao gás boliviano.
Além disso, chamou atenção para os impactos da reforma tributária e para a relação entre juros e crescimento econômico.
Na avaliação do governador, o Brasil só deve entrar em um ciclo mais consistente de expansão quando houver redução estrutural das taxas de juros, o que depende do equilíbrio das contas públicas em todas as esferas.
Relação com Brasília segue pragmática
Questionado sobre o cenário nacional, Riedel reforçou que pretende manter uma relação institucional com o governo federal, independentemente das divergências políticas.
Segundo ele, a prioridade é defender os interesses de Mato Grosso do Sul, mantendo diálogo com o Palácio do Planalto e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pautas administrativas.
“O respeito institucional é fundamental. A sociedade não pode ser penalizada por disputas ideológicas”, afirmou.
Assembleia promete evitar “palanque permanente”
O presidente da Casa, Gerson Claro (PP), adotou discurso semelhante ao do governador. Para ele, a palavra que resume a relação entre os Poderes hoje é “confiança”.
Gerson defendeu que o Legislativo mantenha protagonismo nos debates, mas sem transformar o plenário em um espaço permanente de embate eleitoral. Segundo ele, divergências fazem parte do processo democrático, desde que não comprometam a agenda pública.
“No comando da Casa, a prioridade é o regimento, o respeito e o direito de todos se manifestarem”, disse.
O presidente também apontou que, em 2026, a Assembleia deve concentrar esforços em temas como a reforma tributária, regularização fiscal de empresas e projetos pendentes do Executivo enviados no fim do ano passado.
Transparência e pressão por resultados
Durante a coletiva, Gerson Claro também destacou a cobrança interna por resultados e a busca por maior aproximação com a população. Ele citou o reconhecimento da Assembleia em rankings de transparência e afirmou que a meta é ampliar a visibilidade dos gastos e das decisões do Parlamento.
Para o presidente, a legitimidade política passa, cada vez mais, pela capacidade de mostrar como os recursos públicos são utilizados.
“Não se trata de construir estruturas para políticos, mas de criar espaços para receber a população”, afirmou.